quarta-feira, abril 15

O relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da jornada 6×1, deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA), apresentou nesta quarta-feira, 15, seu parecer prevendo a admissibilidade do texto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Nesse colegiado, os parlamentares analisam apenas se a proposta é adequada do ponto de vista legal. Por essa razão, o relatório não propõe uma nova redação e mantém as propostas dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erica Hilton (PSOL-SP) sem alterar as previsões de jornada. O relatório da PEC está na pauta da CCJ desta quarta.

Mesmo assim, o relator incluiu no parecer algumas recomendações do que considera importante para discussão na futura comissão de mérito. Uma delas é a necessidade de uma regra de progressividade ou transição, pela qual a redução da jornada ocorreria ao longo de alguns anos. Ele cita exemplos de reformas em outros países, onde cronogramas escalonados foram definidos para a redução.

Paulo Azi vinha defendendo que uma PEC talvez não fosse o melhor instrumento para fixar mudanças de jornada e escala de trabalho. No relatório encaminhado à CCJ, ele afirma que a incorporação da previsão de uma escala de trabalho específica à Constituição traz riscos de engessamento excessivo à capacidade legislativa do Congresso.

A definição das escalas, segundo o relator, é um tema mais ligado às negociações coletivas, que podem considerar as particularidades de cada segmento e as escalas especiais de trabalho.

Na terça-feira, 14, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou ao deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) que enviaria um próprio projeto com regime de urgência constitucional, enquadramento que torna obrigatória a votação pelo Congresso em até 45 dias. O texto foi despachado no início da noite, em edição extra do Diário Oficial da União.

Diferentemente das PECs de Lopes e Hilton que tramitam juntas na Câmara, a proposta do governo é um projeto de lei para alterar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e outras leis que regulamentam atividades específicas, como o trabalho de aeronautas, segurança privada de instituições financeiras, comerciários e radialistas.

No relatório encaminhado à CCJ, o deputado do União Brasil também aponta que a comissão de mérito deve considerar de maneira cautelosa a adoção de instrumentos mitigatórios. A tramitação de mudanças na legislação trabalhista frequentemente envolve debates sobre o impacto econômico e a viabilidade de implementação para diferentes setores. A análise da CCJ é apenas a primeira etapa de um processo legislativo que ainda passará por outras comissões e votações em plenário antes de eventualmente virar lei.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados