sábado, abril 18

A lista dos 25 maiores atletas do século XXI divulgada pelo Sport Bible, com base em ranking da ESPN, diz tanto pelo que mostra quanto pelo que deixa de mostrar. E o primeiro impacto é inevitável: o futebol, o esporte mais popular do planeta, aparece quase como figurante. Apenas dois nomes – Lionel Messi e Cristiano Ronaldo – representam um universo que movimenta bilhões, mobiliza continentes e domina a cultura esportiva global.

Não é exatamente uma injustiça com quem ficou fora. É mais um sintoma de como esse tipo de ranking, muitas vezes baseado em métricas objetivas como número de títulos, medalhas olímpicas e estatísticas individuais, acaba favorecendo esportes com calendários mais mensuráveis e conquistas mais “empilháveis”, como natação, tênis e esportes americanos.

No topo, não há muito o que contestar. Michael Phelps lidera com uma coleção absurda de medalhas olímpicas, um feito quase inalcançável em qualquer era. Serena Williams aparece logo atrás como um dos maiores nomes da história do tênis, com domínio técnico e impacto cultural. Messi, em terceiro, é praticamente um consenso quando o assunto é genialidade dentro de campo, seguido por LeBron James, que redefine longevidade e consistência na NBA, e Tom Brady, um símbolo de hegemonia no futebol americano.

São escolhas que fazem sentido dentro da lógica do ranking. São atletas que não apenas venceram, mas dominaram suas modalidades por longos períodos. Ainda assim, quando Messi aparece como o único representante do futebol no top 5, surge a sensação de que há um descompasso entre a grandeza global do esporte e o espaço que ele ocupa na lista.

Talvez a ausência mais eloquente seja a do Brasil. Nenhum atleta brasileiro aparece entre os 25 maiores do século. E isso diz muito mais sobre o momento do esporte brasileiro do que sobre um possível “viés” da lista.

O futebol, principal vitrine do país, vive um hiato de protagonismo em nível mundial quando o critério é o século XXI. Não há Copa do Mundo recente, não há domínio absoluto de um jogador brasileiro no cenário global como houve em décadas anteriores. Nomes como Ronaldinho Gaúcho, Kaká ou Neymar tiveram brilho, impacto e talento de sobra, mas não sustentaram por tempo suficiente o nível de hegemonia exigido para listas desse tipo.

Em outras modalidades, o Brasil também ficou aquém em termos de domínio contínuo. Tivemos talentos excepcionais, medalhistas olímpicos e campeões mundiais, mas poucos conseguiram construir trajetórias de longo prazo comparáveis às de Phelps, Serena ou Bolt.

A lista, enfim, pode até gerar incômodo – especialmente pela presença tímida do futebol –, mas funciona como um retrato duro e direto: o século XXI, até aqui, não tem sido tão generoso com o protagonismo brasileiro no esporte global. E, goste-se ou não do ranking, esse silêncio do Brasil entre os maiores talvez seja a parte mais barulhenta de toda a lista.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados