quarta-feira, abril 29

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), será sabatinado nesta quarta-feira, 29, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A sabatina ocorre mais de cinco meses após o anúncio da indicação, oficializada em 1º de abril, em meio a uma disputa política entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Messias afirma a interlocutores que a conversa com os senadores não será sobre sua atuação profissional, mas sobre os rumos do STF. Ele já espera um resultado apertado no plenário do Senado. Aliados contabilizam de 48 a 52 votos favoráveis na Casa. O relator da indicação, senador Weverton Rocha (PDT-MA), estima 44 votos.

O desgaste do governo Lula e o descontentamento de Alcolumbre com o indicado do Planalto devem tornar a votação acirrada, tanto na CCJ quanto no plenário. Messias conta atualmente com 15 votos na CCJ, dos 14 necessários para avançar à votação definitiva. O número foi alcançado graças a mudanças recentes na composição do colegiado, como as substituições dos senadores Sergio Moro (PL-PR) por Renan Filho (MDB-AL) e Cid Gomes (PSB-CE) por Ana Paula Lobato (PSB-MA).

Para efeito de comparação, o último indicado de Lula ao STF, Flávio Dino, obteve 47 votos favoráveis e 31 contrários no Senado em dezembro de 2023. Já o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi reconduzido em novembro do ano passado com 45 votos a favor e 26 contra.

Messias está ciente de que a crise de credibilidade do STF será o principal tema da sabatina. Ele pretende defender que juízes não estão acima da lei e que devem prestar contas. O tribunal enfrenta críticas devido às relações de ministros com investigados no escândalo do banco Master. Entre os episódios citados, ministros viajaram em aviões do banqueiro Daniel Vorcaro; Dias Toffoli vendeu cotas de um resort para Fabiano Zettel, também investigado; e a esposa de Alexandre de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões para advogar para a empresa do banqueiro.

O indicado de Lula pretende apoiar publicamente a proposta de código de ética no STF, apresentada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e lembrará que criou o primeiro código de conduta da AGU em 2023. Messias também exporá que não tem parentes advogados com atuação no STF — a esposa é psicopedagoga, os filhos são crianças e as irmãs são médicas — e que seu patrimônio é compatível com sua carreira de funcionário público.

Sobre o caso Master, ele deve se esquivar de perguntas, justificando que, se aprovado, precisará votar no processo. A mesma estratégia vale para outros assuntos sensíveis envolvendo futuros colegas. Para temas polêmicos como aborto, Messias defenderá o arcabouço legal atual, que permite a interrupção da gestação apenas em casos de risco de vida ou estupro. Ele também planeja reafirmar sua fé evangélica, mas defender a laicidade do Estado.

Outro ponto sensível é a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNUD), acusada pela oposição de ser um “Ministério da Verdade”. Messias defenderá o trabalho do órgão como um programa de defesa da democracia e proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

O maior obstáculo à aprovação de Messias é a resistência de Alcolumbre, que controla um grupo de parlamentares. Aliados do ministro acreditam que o presidente do Senado usa a situação para atacar Lula, mas que não deve levar a disputa à rejeição total, pois isso prejudicaria a governabilidade e a candidatura de Lula à reeleição. Uma rejeição também teria peso histórico: faz 132 anos que um indicado do governo não é reprovado pelo Senado.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados