quarta-feira, abril 29

O mercado financeiro espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) corte a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira (29), reduzindo os juros básicos para 14,5% ao ano. A decisão ocorre em meio a incertezas sobre a duração do conflito no Oriente Médio e a pressão nos preços de combustíveis e alimentos.

A reunião terá três desfalques. Duas diretorias do Banco Central — de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro — ainda não têm indicados pelo governo Lula. Além disso, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, não participa por falecimento de um familiar. Assim, a decisão será tomada pelo presidente Gabriel Galípolo e mais cinco diretores.

Economistas ouvidos avaliam que a inflação corrente, a piora nas expectativas e a alta do petróleo exigem cautela do Copom. Isso deve resultar em cortes de juros mais lentos e um ciclo de queda da Selic mais curto do que o previsto em fevereiro, antes da ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Fernando Gonçalves, do Itaú Unibanco, afirma que a piora das expectativas de inflação até 2028 reduz o espaço para cortes. O banco revisou sua projeção para a Selic no fim do ciclo de 12,25% para 13%. O boletim Focus de 27 de janeiro mostrou alta na expectativa do IPCA para 2026, a 4,86%, acima do teto da meta de 4,5%. Para 2027, a estimativa subiu para 4%, e para 2028, para 3,61%.

Gonçalves diz que o mercado precifica que o estreito de Hormuz não voltará à normalidade do pré-guerra, gerando risco geopolítico e prêmio no petróleo. A inflação corrente, medida pelo IPCA-15, acelerou para 4,37% em 12 meses até abril, pressionada por combustíveis e alimentos. Apesar disso, ele vê sentido no corte de 0,25 ponto devido à apreciação do câmbio, com o dólar abaixo de R$ 5.

Nesta “superquarta”, o Federal Reserve (Fed) dos EUA deve manter sua taxa de juros entre 3,50% e 3,75%.

Solange Srour, do UBS Global Wealth Management, diz que o BC adota postura “dependente dos dados”, buscando clareza sobre choques recentes. Ela vê risco de inflação maior devido à política fiscal expansionista no Brasil e expectativas de longo prazo desancoradas. Para ela, a falta de credibilidade fiscal dificulta o controle das projeções.

Srour não vê espaço para a Selic cair muito abaixo de 13,5% no fim do ciclo. Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, estima que a Selic termine 2026 ao menos 1 ponto percentual acima do previsto antes da guerra. Uma mudança depende da trajetória do petróleo: o barril Brent fechou a terça-feira (28) a US$ 104,82. Se houver alívio, o BC pode acelerar cortes; caso contrário, deve seguir com reduções de 0,25 ponto, terminando o ano com juros entre 13% e 13,50%.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados