terça-feira, abril 28

As propostas em tramitação no Congresso Nacional para reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e acabar com a escala 6×1 têm gerado debates entre economistas e entidades. Estudos de confederações patronais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), projetam impactos negativos na economia, com queda no Produto Interno Bruto (PIB) e aumento da inflação.

A CNI estima perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro, equivalente a -0,7%, com o setor industrial sofrendo redução de 1,2%. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a medida levaria a perda de competitividade, com diminuição nas exportações e aumento nas importações. A CNC calcula aumento de 21% nos custos da folha salarial, com possível repasse de 13% nos preços ao consumidor. A entidade alerta para impactos na rentabilidade das atividades comerciais.

Em contrapartida, análises da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentam cenário mais otimista. O estudo do Ipea indica que o custo extra com os trabalhadores não ultrapassaria 10% nos setores mais impactados, com média de 7,8%. Considerando o custo total das empresas, o impacto variaria de 1% em setores como comércio e indústria a 6,6% no ramo de vigilância e segurança. Felipe Pateo, um dos autores do estudo, defende que a maioria dos setores tem capacidade de absorver esses aumentos, embora pequenas empresas com até nove trabalhadores possam precisar de apoio estatal para a transição.

Sobre a inflação, o Ipea prevê impacto limitado, de cerca de 1% nos preços, caso os empresários repassem integralmente o custo operacional. A economista da Unicamp, Marilane Teixeira, argumenta que não há risco de aumento generalizado de preços, comparando a medida a reajustes do salário mínimo, que não geraram inflação exponencial. Ela destaca que a economia opera com capacidade ociosa, permitindo ajustes sem pressões inflacionárias.

As divergências entre os estudos decorrem de premissas diferentes. Enquanto entidades patronais assumem que a redução das horas trabalhadas levará a queda na produção, análises como as da Unicamp consideram ajustes no mercado de trabalho, como contratação de mais funcionários, o que poderia impulsionar o consumo e o PIB. Marcelo Azevedo, da CNI, reconhece que as projeções simplificam a realidade e dependem de hipóteses sobre ganhos de produtividade, que permanecem estagnados no Brasil.

Teixeira enfatiza que o debate envolve aspectos políticos e distributivos, questionando a distribuição de lucros entre empregadores e trabalhadores. O Ipea compara a proposta a aumentos reais do salário mínimo nos anos 2000 e 2010, que não causaram efeitos negativos no emprego.

Historicamente, a redução da jornada de 48 para 44 horas prevista na Constituição de 1988 não resultou em perdas de emprego, conforme estudo de 2002 da PUC Rio e da USP. Azevedo contesta a comparação, apontando mudanças na economia brasileira, como a maior globalização e o comércio eletrônico atual.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados