segunda-feira, agosto 10

Os candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) participaram neste domingo (9) do primeiro debate das Eleições 2026, promovido pelo Grupo Bandeirantes. O encontro marcou o início da disputa pelas propostas que esperam conquistar o eleitorado no pleito de 4 de outubro, com possível segundo turno em 25 do mesmo mês. Participaram do evento Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Capelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo). Segundo a organização, os convites foram distribuídos com base na representação dos partidos no Congresso Nacional.

A tônica do debate foi a união de diversos candidatos para questionar Celina Leão. A governadora abriu o encontro dizendo que “herdou” a crise do BRB e outros problemas do governo Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice, como a queda no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e as filas para cirurgias e consultas eletivas. Ricardo Capelli (PSB) e José Roberto Arruda (PSD) focaram na gestão da Saúde, enquanto Grass tentou atrair o tema da Educação, por ser professor.

No primeiro intervalo, assessores de Grass e Capelli comemoraram a união contra a atual governadora. Membros do PSB, porém, disseram que o candidato se descuidou do tempo e abriu espaços, como quando Kiko Caputo criticou o que chamou de “roubalheira da Esquerda”. Capelli voltou a falar da Saúde e esgotou o tempo disponível, enquanto Caputo usou seus minutos para criticar o governo federal e elogiar o trabalho de Romeu Zena em Minas Gerais. No campo de Arruda, a avaliação era positiva. “Ele está jogando com a bola no pé”, comentou um líder pessedista.

Arruda e Caputo também falaram sobre mobilidade urbana. O ex-governador lembrou que foi responsável pelas últimas expansões do metrô até Ceilândia e prometeu outras quatro linhas de transporte sobre trilhos. Caputo prometeu novas estações para conectar o Plano Piloto a Planaltina e à saída norte. Alvo de todos, Celina passou a maior parte do tempo se defendendo e exaltando os programas contra a violência doméstica e de gênero, em embate com Paula Belmonte.

No último bloco, Celina voltou a discutir com Belmonte e disse não interferir na atuação dos parlamentares de sua base na Câmara Legislativa, nem mesmo os de seu partido. Questionada, passou a atacar a gestão anterior. “Eu estou sozinha tentando salvar um banco, eu sou corajosa mesmo”, afirmou. “Nenhum dos candidatos aqui veio ajudar, nem os que têm entrada no governo federal”, disse, ao declarar que não tem “nada a ver” com o escândalo do BRB e que seu contato “não consta na agenda de Daniel Vorcaro”.

A governadora também selou o rompimento com o ex-governador em discussão com Caputo. “A última vez que elegemos um ex-presidente da OAB nós vimos o que aconteceu. Nunca mais o povo do Distrito Federal vai eleger alguém da OAB”, disse, em referência ao antecessor. A Segurança Pública só foi tema no final, quando Capelli questionou Grass sobre propostas para a área. “Não adianta colocar câmeras corporais se não tem gente para monitorar”, comentou o petista. Capelli prometeu aumento de efetivo e a volta das duplas de ronda, os “Cosme e Damião”, para patrulhamento.

Em sua última resposta, Capelli fez um gesto a Arruda. “Eu defendo seu direito de ser candidato, Arruda”, disse, citando uma suposta conversa de assessores de Celina para “tirar o ex-governador da disputa”. “Já tiraram o Reguffe da última campanha numa manobra partidária, não quero que isso aconteça com o senhor”, completou. Arruda respondeu com ironia, dizendo que defende o direito de candidatura de Celina “apesar da Operação Drácon”.

Após o debate, Celina Leão se recusou a falar sobre o rompimento com Ibaneis, mas considerou “normal” a união de esforços contra ela. “Faz parte do jogo. Eles querem me atrelar a um governo do qual eu não fiz parte”, declarou. “Agora, querem falar de BRB sendo que ninguém se movimentou para salvar o banco, o candidato do PT não foi capaz de falar com o presidente Lula para mediar uma ajuda federal”, completou. Sobre o balanço da instituição, disse “não haver sentido soltar o balanço sem o empréstimo”.

Kiko Caputo afirmou não ter visto agressão de Celina à OAB. “Não, ela só quer se distanciar do governo do qual ela era vice-governadora”, disse. Leandro Grass considerou natural as tabelinhas contra Celina, mas negou acordo. “Cada um traz as suas propostas e apresenta ao público. Foi um bom debate e quem assistiu teve uma boa ideia de quais são as posições dos candidatos”, declarou. Ricardo Capelli disse estar “honrado” por ser alvo dos contra-ataques da governadora. “É sinal de que estamos incomodando”, sorriu. Arruda classificou a titular do Buriti como “camaleoa” por, segundo ele, frequentar diversos governos, mas “abandonar o barco quando aperta”. Paula Belmonte negou ataques coordenados e garantiu que houve apenas “questionamentos sobre um governo falido”. Ela celebrou “o primeiro debate da vida” e disse estar confiante para os próximos embates.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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