segunda-feira, agosto 10

Com o fim do prazo para as convenções partidárias, o Distrito Federal tem o cenário eleitoral definido para a disputa ao governo. Seis candidatos foram lançados pelas principais siglas. Entre os nomes de destaque estão a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). O PT lançou Leandro Grass, enquanto o PSB aposta em Ricardo Cappelli. A centro-direita também tem representantes: a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

A disputa, no entanto, ainda não está totalmente definida. Fatores como a crise do Banco Regional de Brasília (BRB), questões jurídicas envolvendo candidatos e a divisão no campo progressista podem alterar o cenário até outubro. Celina Leão começa a corrida com vantagem por ocupar o cargo, tendo maior visibilidade e o apoio da estrutura política herdada do antecessor, Ibaneis Rocha (MDB). Por outro lado, ela carrega o desgaste da gestão, especialmente na crise do BRB.

Arruda entra com capital eleitoral expressivo e pode ser um dos principais concorrentes de Celina no campo conservador. Ele, porém, enfrenta uma situação jurídica complicada. No campo progressista, há um racha entre as candidaturas de Grass e Cappelli, que disputam o mesmo eleitorado. Caputo e Belmonte se apresentam como alternativas ao centro.

Crise no BRB

O BRB enfrenta uma crise financeira após as fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As irregularidades envolvem operações com o Banco Master, com prejuízo estimado em cerca de R$ 12 bilhões. O banco ainda não divulgou os balanços financeiros de 2025, essenciais para avaliar o rombo. O prazo para a divulgação venceu em 31 de março, e o banco informou que dependia da conclusão de auditorias.

Celina fechou um acordo no STF para uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo, porém, ainda não teve resultados efetivos, e não há previsão para os recursos entrarem no caixa. A situação aumenta o risco de liquidação do banco. Para o cientista político Gustavo Javier Castro, a crise deve marcar as campanhas. Caso o acordo não seja concretizado antes das eleições, Celina terá que explicar a demora, o que pode enfraquecer o argumento de continuidade administrativa.

Uma possível liquidação teria consequências graves. “O BRB não é percebido apenas como uma instituição financeira, mas como um patrimônio econômico e simbólico do Distrito Federal”, afirma Castro. Ele defende que a crise é o principal ponto de vulnerabilidade da candidatura de Celina, embora os efeitos eleitorais ainda não possam ser medidos.

Ficha Limpa e o cenário de Arruda

Arruda estava inelegível desde 2014 por improbidade administrativa, ligada à Operação Caixa de Pandora. Com as mudanças na Lei da Ficha Limpa, o teto de inelegibilidade passou a ser de oito anos a partir da condenação em segundo grau. O STF analisa os casos, com julgamento suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A legislação atual favorece a interpretação de que Arruda recuperou a elegibilidade, mas uma decisão contrária da Corte pode comprometer a candidatura.

Uma eventual retirada de Arruda beneficiaria Celina, que poderia receber parte dos votos dele. Essa transferência, porém, não seria automática. Parte dos eleitores pode interpretar a exclusão como injustiça e adotar voto de protesto. O comportamento de Arruda também seria decisivo, com um apoio explícito a outro nome ou uma posição de neutralidade.

Divisão na esquerda

A manutenção das candidaturas de Grass e Cappelli mostra a dificuldade de unidade na esquerda. Ambos disputam o mesmo eleitorado e tentam se vincular ao projeto nacional de centro-esquerda. A divisão pode impedir que o campo progressista concentre votos para chegar ao segundo turno. Há também a divisão de recursos, tempo de propaganda e apoios partidários, o que dificulta a construção de uma narrativa comum sobre temas como transporte, saúde e a crise do BRB.

O ex-governador Arruda, por sua vez, representa uma parcela relevante do eleitorado conservador. Sua ausência reduziria a competitividade imediata da eleição, mas não eliminaria as incertezas do primeiro turno.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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