terça-feira, agosto 4

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu nesta segunda-feira (3) mais colaboração com a Espanha e mais recursos ao Marrocos para lidar com a crise migratória. A declaração ocorre depois que ela classificou como “inaceitável” a situação em Ceuta, que recebeu dezenas de milhares de imigrantes na semana passada.

O movimento busca conter o atrito público entre integrantes do bloco. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu mais solidariedade dos colegas e afirmou que seu país recebeu menos da metade dos imigrantes que a Itália nos últimos cinco anos: 234.760 contra 478.600.

Um dos focos da tensão é a postura da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. A gestão dela propôs a exclusão da Espanha do Espaço Schengen, que garante a livre circulação no continente, e depois impôs restrições unilaterais entre os países. A ação de Meloni ganhou apoio em uma carta assinada por 22 dos 27 líderes da União Europeia, com pedido de reunião de emergência e resposta mais dura contra a imigração irregular.

Para tentar reduzir o conflito, ministros do Interior do bloco se reúnem nesta terça-feira (4). Na véspera, embaixadores discutiram pontos de convergência, prática comum para evitar atritos. Apesar do esforço de Von der Leyen, analistas não esperam um diálogo fácil.

A expectativa é que Meloni pressione pela liberação rápida de centros de detenção terceirizados, como o que construiu na Albânia, vetado pela Justiça italiana e depois pela europeia. Um pacote recém-aprovado sobre imigração já prevê esse tipo de instalação.

A postura de Meloni chama atenção porque a Espanha apoiou a Itália na crise de Lampedusa, em 2023, quando mais de 10 mil imigrantes chegaram à ilha, que é território Schengen, diferente de Ceuta e Melilla. Também pesa contra o argumento italiano o programa de regularização espanhol, que recebeu mais de um milhão de inscrições, mas beneficia principalmente latino-americanos e exclui quem entrou ilegalmente no país.

Especialistas apontam que Meloni se prepara para as eleições de 2027 com a popularidade em queda. Ela enfrenta derrotas legislativas recentes e a ascensão de Roberto Vannacci, militar com discurso mais radical, que defende deportação em massa. Atacar Sánchez é visto como uma forma de fortalecer sua posição política e incomodar a esquerda italiana.

A crise também atraiu críticas de líderes internacionais. Donald Trump, o vice-presidente americano J. D. Vance, o presidente argentino Javier Milei e o ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, criticaram o governo espanhol. O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, chegou a questionar por que a Espanha mantém “colônias na África”, conceito que historiadores dizem não se aplicar a Ceuta e Melilla, que existem desde o fim do século 15.

No Reino Unido, o líder da ultradireita Nigel Farage prometeu, se eleito, a “maior operação no Canal da Mancha desde a Segunda Guerra” para impedir a chegada de imigrantes ilegais. O partido dele, o Reform UK, aparece atrás nas pesquisas pela primeira vez em meses, após uma onda de escândalos. O Partido Trabalhista, de Andy Burnham, voltou à liderança.

Share.
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

Mapa do portal