segunda-feira, agosto 3

Um cientista chinês da Universidade de Jiao Tong, em Xangai, está sob investigação após relatos de que um teste experimental de edição genética teria causado a morte de uma menina de seis anos. A Escola de Medicina da instituição confirmou que o caso não foi mencionado em estudo publicado em revista científica. As denúncias representam um revés para as ambições da China de se tornar uma potência em biotecnologia.

A criança, identificada pelo pseudônimo “Mei”, morreu em março de 2025, cerca de uma semana depois de receber uma infusão espinal de bilhões de vírus modificados para atingir o cérebro. A informação é de uma investigação conjunta da revista Science e da plataforma Retraction Watch. Segundo os pais, a menina sofreu uma reação imunológica ligada ao tratamento. A terapia experimental buscava corrigir uma condição genética rara que atrasava o desenvolvimento cognitivo da criança.

O neurocientista Zilong Qiu, pesquisador principal do estudo, publicou um artigo na revista Nature sobre a terapia aplicada em animais, mas não citou o caso de Mei. Qiu ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações. Em nota, a Escola de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai afirmou que criou um grupo de trabalho para investigar o incidente. A instituição disse que se opõe a pesquisas que violem a ética científica e que tomará “medidas severas” conforme o resultado da apuração.

Sete especialistas em genética, virologia e bioética analisaram o estudo publicado na Nature e apontaram que o cientista minimizou os riscos da terapia ao conversar com os pais, ignorou alertas de testes em animais e seguiu com o tratamento mesmo com baixas chances de sucesso. Os pais de Mei pagaram mais de 800 mil dólares para financiar o experimento e, de acordo com o relatório, não foram informados adequadamente sobre os perigos.

A investigação da Science indica que o hospital permitiu o tratamento sob uma regra que não exige aprovação de reguladores nacionais. Após a morte da menina, a unidade de saúde pagou uma multa a uma autoridade local, mas Qiu não sofreu sanção pública.

O caso reacende o debate sobre ética científica na China. Em 2018, o biofísico He Jiankui, conhecido como “Dr. Frankenstein chinês”, foi condenado a três anos de prisão por editar genes de embriões humanos em segredo. A experiência resultou no nascimento de gêmeas e, depois, de um terceiro bebê de outro casal. Em setembro, o Conselho de Estado da China publicou regras que proíbem a modificação de DNA em células reprodutivas humanas, como espermatozoides, óvulos e embriões.

O presidente Xi Jinping definiu como meta que o país esteja na liderança global de ciência e tecnologia até 2049. A morte de Mei, que não havia sido divulgada, é mais um obstáculo para esse plano.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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