sábado, abril 25

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, enviou nesta terça-feira, 21 de agosto, uma oferenda ao Santuário Yasukuni. O local é considerado um símbolo do passado militarista do país. Ela optou por não comparecer pessoalmente, conforme informado por meios de comunicação e uma fonte próxima.

O templo fica no centro de Tóquio e é dedicado a cerca de 2,5 milhões de soldados japoneses mortos. Entre eles há criminosos de guerra condenados. Para outras nações asiáticas, o santuário representa as atrocidades cometidas pelo imperialismo japonês durante a Segunda Guerra Mundial e no período que a antecedeu.

A oferenda feita por Takaichi foi um “masakaki”. Trata-se de um objeto ritualístico feito com ramos de árvore e acompanhado de uma placa. A confirmação foi dada pela fonte à agência de notícias AFP. A emissora pública NHK e a agência Jiji Press também noticiaram que a primeira mulher a governar o Japão enviou o presente.

Nenhum primeiro-ministro japonês visita o santuário xintoísta desde o ano de 2013. No entanto, os antecessores imediatos de Takaichi, Shigeru Ishiba e Fumio Kishida, tinham o costume de enviar oferendas regularmente. Isso ocorria nos festivais semestrais de primavera e outono.

Dezenas de parlamentares do país costumam prestar homenagem no local durante essas festividades. O mesmo acontece todo ano no mês de agosto. A data marca o aniversário do anúncio da rendição do Japão, feito pelo imperador em 1945.

O ex-primeiro-ministro Shinzo Abe foi ao santuário em 2013. A visita na época provocou forte indignação em Pequim e em Seul. O ato também resultou em uma reprimenda diplomática rara por parte dos Estados Unidos, aliado próximo do Japão.

Sanae Takaichi é conhecida por defender posições ultranacionalistas. Ela já havia visitado o templo em várias ocasiões anteriores, quando ocupava outros cargos ministeriais no governo.

A polêmica em torno do Santuário Yasukuni segue sendo um ponto delicado nas relações diplomáticas do Japão com seus vizinhos. A China e a Coreia do Sul, em particular, veem as homenagens no local como uma tentativa de glorificar o passado militarista japonês. As ações de autoridades, mesmo que simbólicas como o envio de oferendas, são acompanhadas de perto e frequentemente geram protestos oficiais.

O santuário foi fundado em 1869 e é dedicado às almas daqueles que morreram em serviço ao imperador. A inclusão de quatorze criminosos de guerra condenados como Classe-A após a Segunda Guerra é o principal motivo das críticas internacionais. O museu associado ao local, o Yushukan, é frequentemente acusado de apresentar uma narrativa histórica revisionista sobre as ações do Japão no século XX.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados