quinta-feira, abril 23

Um dia depois de negar a proposta, o comando da greve dos servidores da USP (Universidade de São Paulo) passou a indicar que a categoria aceite as ofertas da reitoria para encerrar o movimento. A gestão de Aluisio Segurado oferece uma gratificação de até R$ 1.600 mensais a todos os funcionários e se compromete a estudar um novo sistema de mobilidade interna para os trabalhadores, que hoje não têm gratuidade nos ônibus circulares da Cidade Universitária.

O fim da paralisação, porém, está condicionado a um acordo documentado. Os servidores exigem que os termos negociados constem por escrito, além do compromisso de não punição e da regularização da frequência nos dias de greve. Eles também pedem o agendamento de uma reunião para ouvir as demandas dos estudantes, que também boicotam aulas. Uma assembleia foi convocada pelo Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo) para as 12h30 desta quinta-feira (23) para deliberar sobre o tema.

O comando da greve se reuniu na noite de quarta-feira (22) após uma longa mesa de negociação com a reitoria. O encontro aconteceu depois de uma breve assembleia dos servidores, que havia votado pela continuidade da paralisação para tentar conquistar novos compromissos. A reunião terminou sem acordo, com a gestão insistindo na proposta inicial. Os trabalhadores afirmam que receberam um ultimato: dar uma resposta até esta quinta ou as propostas seriam retiradas. A USP nega essa versão.

“Houve uma avaliação majoritária de que as propostas apresentadas representam conquistas muito importantes, fruto direto da força da nossa greve, e que as garantias reais da efetivação dos compromissos se darão por meio de nossa mobilização constante”, diz o Sintusp em boletim aos servidores mobilizados.

A paralisação teve como estopim um bônus para professores chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas). A medida, votada pelo Conselho Universitário em 31 de março, criou um pagamento adicional de R$ 4.500 para docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como disciplinas em inglês e ações de extensão. A bonificação aos servidores seria paga mensalmente pelo mesmo período da Gace, inicialmente dois anos, com possibilidade de prorrogação. Pela proposta da reitoria, o valor total reservado aos funcionários seria igual ao dos professores, ou seja, R$ 238,44 milhões por ano. Essa verba seria dividida pelos 12 mil servidores, resultando em cerca de R$ 1.600 mensais para cada um.

O movimento dos estudantes já chegou a 105 cursos, na capital e no interior. Assembleias ainda serão realizadas em dezenas de graduações. Dentre as faculdades sem aulas está a Escola Politécnica, dos cursos de engenharia, historicamente avessa a movimentos do tipo. As diversas unidades têm pautas unificadas: melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas e investimento na qualidade dos serviços dos restaurantes universitários. Nas últimas semanas, surgiram denúncias de refeições estragadas e com larvas sendo servidas, especialmente na Faculdade de Direito. As unidades são terceirizadas.

Outro tema que incomoda os alunos é a minuta que visa regulamentar os espaços utilizados por centros acadêmicos. Ela tramita em órgãos internos da universidade e pode acabar com o comércio realizado pelas entidades. Na EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), a USP Leste, os alunos pedem a criação de uma moradia estudantil própria devido à distância do campus, em Ermelino Matarazzo, da Cidade Universitária, no Butantã.

A gestão de Aluisio Segurado afirma que tem atuado na valorização da carreira dos servidores técnicos e administrativos, com medidas voltadas à melhoria das condições de trabalho e de remuneração. Sobre as demandas dos estudantes, a gestão diz possuir uma política de permanência. Em relação aos restaurantes, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento informa que equipes técnicas estão realizando visitas às unidades para apurar as ocorrências e que medidas administrativas estão sendo tomadas. Quanto à minuta dos espaços estudantis, a instituição afirma que não pretende cercear a liberdade das entidades, mas garantir segurança jurídica.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados