domingo, agosto 16

Há momentos em que a natureza obriga a uma pausa. Em meio à velocidade da vida moderna, às disputas políticas e às preocupações econômicas, acredita-se ter respostas para quase tudo. Até que a Terra se movimenta, e a verdade simples aparece: não se tem controle sobre tudo.

Os terremotos recentes na América Latina e na Colômbia trazem ao debate a questão da preparação para eventos extremos. Na Itália, onde a autora vive há duas décadas, a força da natureza também é acompanhada de perto.

Em 31 de julho, um terremoto de magnitude 4,7 atingiu os Campi Flegrei, a oeste de Napoli. O tremor foi sentido em vários bairros, causando interrupções de energia, problemas no transporte e inspeções em estruturas. Em maio, outro tremor de magnitude 4,4 foi registrado na mesma região, com epicentro no mar, entre Pozzuoli e Bacoli.

Os Campi Flegrei são uma área vulcânica ativa, com histórico de atividade sísmica e deformação do solo. A população convive com a necessidade de monitoramento constante. A lição é que não basta monitorar riscos; é preciso preparar as pessoas. É necessário distinguir as causas dos fenômenos: terremotos estão ligados à dinâmica das placas tectônicas, e não às mudanças climáticas. O El Niño, por sua vez, relaciona-se ao aquecimento do Pacífico e não provoca terremotos.

Reconhecer causas diferentes não impede ver o cenário amplo. América Latina e Europa estão expostas a riscos naturais e climáticos que, combinados com desigualdade social e infraestrutura insuficiente, podem ter efeitos graves. Não se podem impedir todos os fenômenos, mas é possível reduzir a vulnerabilidade.

Um El Niño potencialmente intenso pode afetar cerca de 16 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe, com consequências para a agricultura e a segurança alimentar. Alterações nos padrões de chuva comprometem colheitas, secas afetam o abastecimento de água e ondas de calor aumentam a demanda por energia. O impacto chega à mesa e ao orçamento das famílias. O clima é economia, infraestrutura e saúde.

A magnitude de um terremoto é apenas parte da equação. Importam a quantidade de pessoas expostas, a qualidade das construções, os sistemas de alerta e a resposta do poder público. Governar também é antecipar riscos, investindo em planejamento urbano e educação. A América Latina tem comunidades em áreas de risco e cidades que cresceram sem planejamento. Quando um desastre acontece, as desigualdades ficam evidentes. Políticas de prevenção são também políticas de redução de desigualdades.

A Itália desenvolveu mecanismos de monitoramento e proteção civil após grandes eventos sísmicos. Nenhuma sociedade está completamente preparada, e a cooperação internacional é importante para compartilhar tecnologias e protocolos. A prevenção de desastres deve ser tratada como questão de segurança humana, econômica e alimentar.

A reconstrução após uma tragédia não termina quando as câmeras vão embora. A solidariedade precisa vir acompanhada de compromisso para reconstruir com mais segurança e planejamento. Os eventos recentes em Napoli e fenômenos como o El Niño mostram que o planeta está mudando. A lição é que não se precisa controlar a natureza, mas aprender a respeitá-la, preparando cidades e construindo sociedades mais resilientes.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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