quarta-feira, abril 15

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 409/26, que cria o Selo Nacional Empresa Amiga das Mães Atípicas. A proposta tem como objetivo reconhecer e incentivar empresas que adotem práticas de inclusão no mercado de trabalho e de apoio a essas mães em todo o país.

O texto define mãe atípica como a responsável legal por criança ou adolescente com deficiência, transtorno do espectro autista, doença rara ou qualquer outra condição que exija acompanhamento terapêutico contínuo.

Para receber o selo, as empresas precisam comprovar a adoção de pelo menos uma das práticas listadas. Entre elas está a contratação formal de mães atípicas, a oferta de jornada flexível ou teletrabalho, e o apoio estrutural ou financeiro a feiras e eventos de empreendedorismo desse grupo.

A lista inclui ainda a compra regular de produtos ou serviços fornecidos por mães atípicas que tenham empresa formalizada e a implementação de programas internos de capacitação e inclusão produtiva. A validade da concessão do selo é de um ano, podendo ser renovada mediante comprovação de que as práticas foram mantidas.

O relator do projeto, deputado Duarte Jr. (Avante-MA), deu parecer favorável à proposta, que é de autoria do deputado Ribeiro Neto (Solidariedade-MA). Ele argumentou que as responsabilidades de cuidado contínuo e intensivo muitas vezes criam obstáculos para a entrada ou permanência dessas mulheres no mercado de trabalho.

Em sua fala, Duarte Jr. afirmou que a criação de um selo de reconhecimento público é um instrumento de estímulo às boas práticas empresariais. Ele disse que a medida promove a adoção de políticas inclusivas, flexibilidade nas relações de trabalho e ações de apoio, reforçando o papel do setor privado na promoção da inclusão social e da equidade.

O projeto segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), tramitando em caráter conclusivo. Para virar lei, ele ainda precisa ser aprovado pelo Plenário da Câmara, pelo Senado Federal e receber a sanção do presidente da República.

A discussão sobre políticas de apoio a cuidadores familiares tem ganhado espaço no Legislativo. Outras propostas em tramitação buscam ampliar direitos, como a concessão de benefícios sociais ou a criação de programas específicos de qualificação profissional para pessoas que dedicam grande parte do seu tempo ao cuidado de familiares com necessidades especiais.

Especialistas em direito do trabalho e inclusão social frequentemente apontam a necessidade de adaptações no ambiente corporativo. A flexibilização de horários e a possibilidade de trabalho remoto são citadas como medidas que podem beneficiar não apenas mães atípicas, mas também outros grupos que demandam conciliar a carreira com responsabilidades de cuidado.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados