sexta-feira, abril 24

A Petrobras informou na noite desta quinta-feira (23) que não vai exercer seus direitos de preferência e de venda conjunta (tag along) depois da venda da participação da Novonor na Braskem para o fundo de investimento Shine (Shine I FIP). A estatal também anunciou a assinatura de um novo acordo de acionistas com o fundo, que prevê controle compartilhado da petroquímica e alterações na governança.

Pelo novo arranjo, Petrobras e Shine terão o direito de indicar o mesmo número de membros para o conselho de administração e para a diretoria executiva da Braskem. O acordo ainda estabelece a necessidade de consenso entre as partes nas decisões do conselho e da assembleia geral. Ao abrir mão desses direitos, a Petrobras permite que a Novonor venda sua fatia diretamente ao novo investidor, sem a obrigação de a estatal comprar as ações nas mesmas condições (direito de preferência) ou de vender sua própria participação junto com a controladora (tag along).

A decisão evita interferências no negócio e desbloqueia a transferência de controle, informada no início da semana. O documento será encaminhado à Braskem e passará a valer após a conclusão da transferência das ações ao fundo, segundo a estatal. Com a operação, a Petrobras mantém sua participação de 36,1% do capital total da Braskem, sendo 47% do capital votante. O Shine ficará com 50,1% do capital votante e 34,3% do capital social total. A Novonor terá sua participação reduzida a 4% do capital social total.

A Novonor assinou na segunda-feira (20) a transferência de sua fatia na petroquímica ao fundo Shine, assessorado pela gestora IG4 Capital. Uma das condições para a conclusão da venda era que a Petrobras não usasse seus direitos de preferência e de tag along, decisão já aprovada pela estatal em fevereiro. O contrato deriva do acordo anunciado em dezembro do ano passado, que envolveu a compra pela IG4 de cerca de R$ 20 bilhões em dívidas da Novonor detidas pelos maiores bancos do Brasil e garantidas por ações da Braskem.

A IG4 é uma gestora brasileira de investimentos focada em companhias endividadas, em reestruturação financeira ou com problemas de governança. Em 2017, por exemplo, adquiriu o controle da CAB Ambiental, do grupo Galvão, e relançou a empresa como Iguá Saneamento. A Iguá é uma das quatro companhias que dominam 84% dos serviços privados de água e esgoto. Em 2024, a IG4 deixou o controle da empresa.

A chegada de um novo acionista controlador pode ajudar a melhorar as perspectivas da Braskem, que enfrenta margens apertadas no setor petroquímico e dívidas ligadas aos danos causados pelas operações de mineração de sal em Maceió (AL). De acordo com o balanço de 2025, a dívida líquida da companhia passava de R$ 11 bilhões.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados