quinta-feira, abril 23

Após a promulgação da Constituição de 1988, Brasília passou a ter plenos direitos políticos. A autonomia do Distrito Federal foi estabelecida no início do texto constitucional. Houve discussão sobre a data da eleição local, mas ela ficou para 1990. Assim, em 1989, a população brasiliense pôde votar apenas para presidente.

Esta é a quarta reportagem do Jornal de Brasília sobre a autonomia política do DF. O foco é o comportamento da capital na primeira eleição direta para a Presidência em 29 anos.

Em 1989, Brasília voltou a escolher candidatos à Presidência, agora em igualdade com o resto do país. A eleição tinha 22 candidaturas. Entre eles estavam Leonel Brizola (PDT), Lula (PT), Roberto Freire (PCB) e Fernando Gabeira (PV), da esquerda radical. Ulysses Guimarães (MDB) e Mário Covas (PSDB) representavam a oposição institucional à ditadura. Paulo Maluf (PDS) e Guilherme Afif (PL) estavam ligados à herança autoritária. Todos os partidos são os da época.

Havia candidatos considerados “outsiders”, como Fernando Collor (PRN), então governador de Alagoas. Ele tinha fortes relações com Brasília. Seu pai, Arnon de Mello, foi senador de 1962 até 1983. Em 1963, Arnon sacou um revólver para atirar no senador rival, mas o tiro atingiu José Kairala, que morreu. Collor cresceu em Brasília, entre aulas de karatê e confusões nas quadras do Plano Piloto. Voltaria à cidade em 1990, mas não por vontade dos candangos.

A campanha de 1986 foi agitada. O pleito de 1989 foi o terceiro ato de uma festa contínua. A psicanalista Yesmin Sarkis disse que foi outro ponto de redenção. “Teve a eleição da Constituinte, depois a própria Constituinte e depois a eleição [presidencial]. Era uma sequência de marcos históricos”, afirmou.

No dia 15 de novembro, quarta-feira, dos 759.480 votos válidos, Lula teve cerca de 220 mil votos (29%), 28 mil a mais que Collor. O marqueteiro de Collor, Augusto Lins, disse em 2014 que Collor era um candidato pitoresco e não teria mais de 4%. Lins criou o slogan que consagrou Collor. No segundo turno, Lula conquistou 451.780 votos (62%) em Brasília, mas Collor venceu nacionalmente com 35 milhões de votos (53%). Collor venceu em todo o Nordeste com 55% dos votos, região que hoje é base eleitoral de Lula.

Essa foi a última eleição em 15 de novembro. A partir de então, os primeiros turnos ocorreram em diversas datas de outubro. Para 2026, o primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o segundo para 25 de outubro.

Da eleição de 1989, apenas Collor e Lula chegaram à Presidência. Lula perdeu em 1994 e 1998 para Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e venceu em 2002, 2006 e 2022. Em 2026, é novamente pré-candidato. Outro veterano daquele pleito é Ronaldo Caiado, fundador da União Democrática Ruralista (UDR). Hoje no PSD, Caiado foi eleito governador de Goiás em 2018 e reeleito em 2022. Para 2026, já é pré-candidato à Presidência.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados