segunda-feira, abril 27

A visão da Inteligência Artificial como apenas um “Google mais esperto” já está ultrapassada diante da rapidez das mudanças atuais. O novo foco do mercado corporativo é a força de trabalho agêntica, que transforma a IA de uma ferramenta simples em um colaborador dinâmico. Ao contrário dos modelos antigos, esses agentes podem entender comandos de voz, analisar dados complexos em planilhas e resolver tarefas burocráticas em plataformas como WhatsApp e Slack, fazendo parte do cotidiano das empresas.

Essa mudança para um modelo em que a tecnologia age como um colega de trabalho tem base em projeções globais. Informações do Gartner mostram que, até o fim de 2026, cerca de 40% das grandes empresas do mundo terão estratégias definidas para usar forças de trabalho agênticas. A inclusão de agentes autônomos em decisões importantes marca uma virada, em que a autonomia tecnológica se torna um fator de competitividade para as organizações líderes.

Para o especialista Elemar Júnior, fundador da eximia.co e consultor de empresas como Nubank, B3 e Banco do Brasil, a transformação é estrutural. Ele afirma que o modelo tradicional de gestão, com pessoas, processos e tecnologia, agora ganha um quarto elemento: os agentes. Na visão de Elemar, os agentes são entidades que realizam tarefas e trabalham com humanos como parte da equipe. A nova ordem de geração de valor seria: pessoas, depois agentes, processos e, por último, a tecnologia de base.

A onda agêntica também indica a redução do uso de softwares complexos tradicionais, o SaaS (Software as a Service). De acordo com a visão de líderes como Satya Nadella, CEO da Microsoft, o mercado avança para a “web agêntica”, onde a linguagem natural substitui a navegação em várias telas. Na prática, a eximia.co já trabalha com esse conceito por meio da “Márcia”, um agente que cuida de áreas como marketing e finanças. Essa automação, segundo a McKinsey, pode economizar até 30% do tempo de gestores, tirando deles tarefas manuais e repetitivas.

No entanto, mesmo com o ganho de produtividade, há uma barreira ética. Estudos do MIT destacam que, embora a IA possa fazer até 90% da parte técnica de um processo, a responsabilidade ética e moral continua sendo humana. A tecnologia ajuda na execução, mas a governança e a avaliação final das ações automatizadas não podem ficar com os algoritmos. As lideranças precisam manter o controle estratégico sobre o ambiente digital.

Com mais de trinta anos de experiência, que começou na programação aos 13 anos, Elemar Júnior ressalta que o desafio atual das empresas não é o código, mas a administração dessa estrutura híbrida. Como mentor de executivos e referência técnica, ele usa a eximia.co para colocar em prática o conceito de “AI First”, combinando engenharia de performance com estratégia de negócios. A meta é fazer com que a tecnologia não seja um fim, mas um meio para aumentar o talento criativo e a visão estratégica que só o ser humano tem.

O conceito de força de trabalho agêntica representa uma evolução na interação entre humanos e máquinas. Diferente de sistemas automatizados comuns, os agentes de IA são projetados para operar com um certo nível de independência dentro de limites predefinidos. Eles podem tomar iniciativas com base em análise de dados, aprendendo com o ambiente para otimizar suas ações. Essa característica os torna particularmente úteis em áreas como atendimento ao cliente, onde podem resolver consultas sem intervenção humana direta, ou em análise financeira, identificando padrões e riscos em tempo real.

A adoção dessa tecnologia também exige adaptações por parte das empresas. Além da infraestrutura técnica, é necessário repensar fluxos de trabalho e capacitar equipes para supervisionar e colaborar com os agentes. A integração bem-sucedida depende de uma implementação gradual, começando por processos específicos antes de expandir para áreas mais complexas. Essa abordagem permite ajustes e garante que a tecnologia realmente atenda às necessidades do negócio, sem causar rupturas operacionais.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados