O Novo Desenrola Brasil, programa do governo federal para reduzir o endividamento das famílias, pode abranger 27,7 milhões de clientes e um estoque de R$ 97,3 bilhões, segundo comunicado da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgado nesta segunda-feira, 4.
O público-alvo é formado por consumidores com renda de até cinco salários-mínimos e dívidas no cartão de crédito, cheque especial e crédito direto ao consumidor (CDC). A Febraban reafirmou o compromisso do setor bancário com a renegociação do passivo das famílias brasileiras, diante da inadimplência e do comprometimento de renda em níveis recordes, sobretudo entre pessoas de menor poder aquisitivo.
A entidade disse ser essencial somar esforços com o setor público e outras associações para construir uma solução capaz de devolver fôlego financeiro a milhões de brasileiros. O programa foi construído em consenso entre as entidades do setor e o Ministério da Fazenda, com o objetivo de oferecer alívio imediato aos mais endividados e recuperar gradualmente a retomada responsável do acesso ao crédito.
Na avaliação da Febraban, a oferta de garantias para uma parcela relevante das dívidas renegociadas reflete a corresponsabilidade do Estado no processo, o que reduz o custo do crédito. O mecanismo viabiliza juros inferiores aos das modalidades originais e converte dívidas mais caras em parcelas mais acessíveis. Para os bancos, a repactuação reduz o custo da inadimplência e favorece o ambiente de crédito para os mais endividados.
A Febraban pediu que o programa seja acompanhado de iniciativas de educação financeira, para apoiar as famílias no uso consciente do crédito, evitar o reendividamento e consolidar os ganhos esperados.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis históricos nos últimos anos, impulsionado pelo aumento dos juros e pela inflação. Segundo dados do Banco Central, a inadimplência das pessoas físicas superou 30% em algumas modalidades de crédito, como o cartão de crédito rotativo. O Novo Desenrola Brasil é a versão ampliada de um programa anterior, lançado em 2023, que já havia renegociado cerca de R$ 50 bilhões em dívidas. A expectativa do governo é que a nova fase beneficie principalmente consumidores de baixa renda, oferecendo condições mais favoráveis de pagamento e descontos sobre os valores totais das dívidas.
