domingo, maio 3

O cinema da América Latina segue como espaço de discussão sobre democracia, memória política e os legados do autoritarismo, refletindo tensões persistentes na região, segundo especialistas consultados pela Agência Brasil.

Pelo menos três produções com esses temas concorrem ao Prêmio Platino, principal premiação do cinema ibero-americano, cujos vencedores serão anunciados em 9 de maio, no México. Entre os concorrentes estão os longas brasileiros ‘O Agente Secreto’, dirigido por Kleber Mendonça Filho, que disputa como melhor filme do ano, e o documentário ‘Apocalipse nos Trópicos’, de Petra Costa. Também concorre o documentário paraguaio ‘Sob as bandeiras, o Sol’, de Juanjo Pereira, que aborda a memória da ditadura militar no país.

‘O Agente Secreto’ explora o apoio empresarial ao regime militar, a perseguição política e o apagamento da memória sobre a ditadura no Brasil. Já ‘Apocalipse nos Trópicos’ retrata a influência da religião evangélica nos rumos da política brasileira. O filme paraguaio recupera imagens raras para documentar a ditadura de Alfredo Stroessner, regime corrupto que prendeu e torturou mais de 20 mil pessoas, com apoio do Brasil em articulações como a Operação Condor.

Paulo Renato da Silva, professor de História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e pesquisador da ditadura no Paraguai, destacou que os países latino-americanos enfrentam populações privadas de direitos básicos, como saúde, alimentação e moradia, gerando insatisfações. Para ele, é na democracia que essas demandas podem ser atendidas, e não em regimes autoritários, que favorecem grupos políticos e econômicos e cerceiam liberdades, como a de expressão.

Marina Tedesco, professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou que a fragilidade democrática na região é uma pauta não resolvida. Ela observou que ainda há presidentes e atores políticos defendendo o regime militar ou minimizando suas violações de direitos e casos de corrupção. Tedesco lembrou que Stroessner foi reverenciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, o cinema sempre tratou da democracia, inicialmente de forma clandestina e no exílio, por perseguidos políticos, e governos autoritários continuam atacando essa forma de expressão.

Em 2025, o filme ‘Ainda Estou Aqui’, que retrata a ditadura brasileira pela perspectiva da família do ex-deputado Rubens Paiva, foi o grande vencedor do Prêmio Platino.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados