domingo, agosto 16

Os assassinatos de indígenas no Brasil aumentaram em 2025 pelo terceiro ano seguido, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação é de um relatório independente divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica.

Segundo a organização, a violência contra os povos indígenas se agravou de forma geral. O número de assassinatos chegou a 258 em 2025, com a maioria dos casos na Amazônia, onde atuam grupos criminosos.

“Há um avanço grande da exploração garimpeira e da exploração madeireira, então é uma invasão sistemática” das terras indígenas, declarou à AFP nesta sexta-feira (14) Roberto Liebgott, um dos autores do relatório.

Nos três primeiros anos do governo Lula, entre 2023 e 2025, o total de assassinatos de indígenas alcançou 677. No mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), que estimulou a exploração econômica da Amazônia, foram registrados 651 casos.

“Seja em tempos de governo popular, em tempos de governos de direita, de extrema direita, o ambiente de violência contra os povos indígenas é sistemático”, afirmou Liebgott.

Lula conta com o apoio da maioria das organizações indígenas brasileiras. O presidente busca a reeleição em outubro e seu principal adversário é Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente.

Em Roraima, uma força-tarefa do governo atuou no ano passado para combater garimpeiros ilegais que invadem terras indígenas e atacam seus habitantes. Segundo Liebgott, porém, esses garimpeiros migraram para territórios indígenas ainda mais remotos.

Especialistas consideram essas áreas uma barreira importante contra o desmatamento e, consequentemente, um fator de mitigação do aquecimento global.

O Cimi também registrou 215 suicídios entre indígenas. “Temos observado ao longo dos últimos anos que o suicídio vem crescendo”, alertou Liebgott.

O Brasil tem cerca de 1,7 milhão de indígenas em uma população total estimada em 212 milhões de habitantes.

Share.
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

Mapa do portal