domingo, abril 19

Quase metade dos brasileiros que apostam em sites de cassino e jogos online afirma que faz isso para conseguir uma renda extra e pagar contas. A informação vem de uma pesquisa do Datafolha.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios nos dias 8 e 9 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.

Do total de entrevistados, 10% disseram que costumam apostar. Desses, 2% apostam com alta frequência, 4% apostam às vezes e 4% apostam raramente.

Entre todos os pesquisados, 5% afirmaram que já apostaram para conseguir uma renda extra para pagar as contas. Outros 1% disseram que já usaram o dinheiro que era para pagar as contas do mês para fazer apostas.

Os apostadores são mais comuns entre os homens, representando 14%, do que entre as mulheres, com 7%. O perfil mais frequente é o de jovens com ensino médio completo que têm renda de até dois salários mínimos, o que equivale a R$ 3.242.

Segundo Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV, as apostas contribuem para o endividamento, mas outros fatores têm mais peso. Ele cita a educação financeira, a oferta de crédito e o cenário macroeconômico.

“As bets têm a sua parcela de culpa, inequivocamente, mas não são só elas”, afirmou o especialista. Ele também disse que o problema não é apenas a educação financeira, embora ela seja importante, mas uma combinação de fatores como renda, inflação e crescimento da economia.

No Brasil, ainda há poucos estudos econômicos independentes sobre o assunto.

Um novo estudo conduzido pelo National Bureau of Economic Research (NBER), dos Estados Unidos, detalha o impacto das apostas online na estabilidade financeira das famílias.

Nos EUA, cada transação eletrônica tem um código de quatro dígitos. Ao analisar os códigos específicos para apostas na internet, os pesquisadores conseguiram identificar o dinheiro destinado a 11 grandes plataformas, como FanDuel e DraftKings.

Os dados mostram que cada US$ 1 gasto em apostas resulta em uma redução de US$ 1 na poupança e nos investimentos em outros ativos financeiros das famílias.

No Brasil, um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável afirma que o jogo tem um peso limitado no consumo das famílias. A pesquisa, feita pela consultoria LCA, indica que os gastos com apostas representam 0,46% do consumo total, um patamar parecido com o das bebidas alcoólicas, que é de 0,5%.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados