quarta-feira, agosto 12

Partidos políticos começaram a criar, em junho, regras para tentar impedir que pessoas ligadas a facções e milícias disputem as eleições deste ano. A medida foi tomada de última hora, após recomendação do Ministério Público Eleitoral (MPE).

Apesar de adotarem os filtros, dirigentes de algumas siglas afirmam, em conversas reservadas, que a cobrança é inócua e tenta transferir para os partidos uma função que seria dos órgãos de fiscalização. As novas regras incluem a análise da documentação dos pré-candidatos e a assinatura de um termo declarando não ter vínculo com grupos criminosos.

No fim de junho, o MPE enviou uma recomendação aos partidos cobrando providências para evitar a infiltração do crime organizado na política. O documento alerta que a Justiça Eleitoral pode ser acionada contra as legendas por “dolo e desídia deliberada”. Entre as sugestões estão a verificação do histórico criminal dos filiados e a criação de comissões de sindicância ética.

A recomendação pegou as direções partidárias de surpresa. Um presidente de partido com grande bancada na Câmara, que pediu anonimato, demonstrou irritação com a ameaça de punição. A equipe jurídica dessa legenda avalia que os dirigentes não podem ser sancionados por descumprir a norma.

Um dos pontos mais criticados é a exigência de análise patrimonial dos pré-candidatos para identificar indícios de financiamento ilícito. O dirigente ouvido pela reportagem argumentou que os partidos não têm condições de investigar a vida pregressa dos candidatos e poderiam ser processados por quem for barrado. “Os partidos não têm os meios de investigação das polícias e do Ministério Público”, disse o presidente do Mobiliza, Carlos Massarollo.

O presidente do PCO, Rui Pimenta, classificou a recomendação como “praticamente uma ordem”. Em artigo publicado no jornal do partido, ele escreveu que a legenda deve cumprir a lei eleitoral, mas que não faz sentido desconfiar de um cidadão por suposto envolvimento com facção para tirá-lo da eleição.

Antes do documento do MPE, apenas o MDB, entre os oito maiores partidos da Câmara, havia oficializado uma norma para coibir a filiação de membros de organizações criminosas, válida para 2026. A reportagem procurou as 30 legendas registradas no TSE para saber quais ações foram tomadas.

O PT e o PL nacional não responderam aos contatos. O diretório do PL no Distrito Federal, no entanto, aprovou uma resolução que cria uma comissão de integridade e ética partidária. A medida obriga os filiados a informar patrimônio, apresentar certidões criminais e assinar declaração de idoneidade.

O Republicanos também aprovou resolução nacional. Uma das medidas, coordenada pela advogada Ezikelly Barros, prevê a assinatura de declaração de “ausência de vínculo com organização paramilitar ou grupo criminoso de natureza congênere”. O diretório do União Brasil no DF também aprovou resolução sobre o tema.

O Cidadania informou ao MPE que os documentos sobre histórico social e patrimonial dos candidatos são enviados à Justiça Eleitoral no registro das candidaturas e que a análise é feita pelos TREs e pelo TSE. A legenda citou ainda que possui comissões de ética, mas lembrou que o STF proíbe a expulsão sumária de associados.

PSDB, PDT, PSB e Novo afirmaram que ainda não tinham conhecimento da recomendação. As siglas defenderam que já possuem mecanismos contra a infiltração do crime organizado. O Podemos declarou que cumprirá as determinações do MPE dentro do prazo.

O PSDB disse que orientou seus diretórios a adotarem as providências cabíveis, com base em informações de acesso público. O Novo informou que seus pré-candidatos passam por verificação de antecedentes feita por empresa especializada. O Missão, partido do pré-candidato Renan Santos, disse que já respondeu às Procuradorias Regionais Eleitorais. O PSTU afirmou que atende as exigências e que seus pré-candidatos são pessoas conhecidas pela direção partidária. PV, UP e PC do B também afirmaram que cumprem ou possuem mecanismos para evitar esse tipo de infiltração.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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