quarta-feira, agosto 12

O homem apontado como origem da acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL), apresentou versões contraditórias nos últimos cinco meses em conversas com parlamentares e com a imprensa.

Luiz Antônio Lopes é apontado como a pessoa que procurou o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) durante a CPI Mista do INSS. Na ocasião, ele afirmou que Gaspar, então relator da comissão, teria estuprado e engravidado uma adolescente, dizendo ter provas e o contato da vítima. O caso foi usado politicamente por parlamentares governistas, que encaminharam uma notícia-crime à Polícia Federal em 27 de março.

Em abril, Luiz Antônio procurou o gabinete de Gaspar e mudou a história. Em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, disse que tudo havia sido uma armação de Lindbergh. Uma semana depois, ele se filiou ao PL. Em conversa com a Folha de S. Paulo na semana passada, voltou a mudar de versão, retomando a acusação contra Gaspar e prometendo provas, que não apresentou.

Procurado pela reportagem na segunda-feira (10), ele não respondeu. Nesta terça (11), deu um relato diferente do da semana anterior, dizendo que “a moça contratada fará um vídeo falando a verdade” e que houve uma armação contra Gaspar, mas negou ter mudado de versão.

O depoimento de Luiz Antônio à Polícia Legislativa foi enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em maio, segundo a Câmara dos Deputados. O caso não foi investigado porque a citação a Lindbergh, que tem foro especial, exige autorização da Corte. A PF pediu a abertura de investigação sobre o suposto crime em 15 de abril. O ministro Gilmar Mendes, relator, pediu uma manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Quando foi anunciado como candidato a vice de Flávio, Gaspar pediu à PGR e ao STF que acelerem o exame de DNA que, segundo ele, afastaria a acusação. Ele disse que vai até o fim no processo contra Lindbergh e Soraya por calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo. Nesta terça (11), a campanha do PL reafirmou que o caso é falso e ligou a denúncia à atuação de Gaspar na CPI do INSS, quando ele pediu o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

“O candidato à Vice-Presidência Alfredo Gaspar é um homem íntegro, com vida limpa, que passou a ser alvo dessa acusação falsa no dia em que ele pediu a prisão de Lulinha por seu envolvimento no roubo dos aposentados do INSS”, disse a campanha de Flávio, em nota. “Não iremos parar até Lulinha responder por todos os seus atos. E sobre as acusações mentirosas, como as feitas por Lindbergh do PT contra Gaspar ou as trazidas agora, lembramos: fake news é crime no Brasil e todos que colaborarem para difusão de notícias falsas serão chamados a responder criminalmente por isso”, completou.

No depoimento à Polícia Legislativa, Luiz Antônio afirmou que uma mulher foi paga para dizer a uma repórter que havia sido estuprada pelo deputado quando tinha 13 anos. Segundo a versão dada à jornalista, teria nascido uma criança, hoje com 8 anos. Ele disse que empregou a mulher em um quiosque em um shopping no Rio de Janeiro e acusou Lindbergh, por meio de pessoas ligadas a ele, de bancar a farsa. O homem também procurou o gabinete de Gaspar com novas informações sobre supostos pagamentos para sustentar a história.

A Folha conversou com Luiz Antônio na semana passada, por WhatsApp, quando Gaspar foi anunciado candidato a vice. O número usado por ele é o mesmo informado à Polícia Legislativa como o da suposta farsante. Na ocasião, ele manteve a acusação contra Gaspar, mas não apresentou provas e disse ter dificuldades para falar com a alegada vítima, inclusive por falta de dinheiro para ir até a casa dela, no interior do Rio. Ele afirmou manter contato com a suposta vítima, hoje com 22 anos, mas deu apenas os primeiros nomes dela e da criança, Jailma e Eloá, sem indicar a existência das duas.

Soraya não quis se manifestar. A assessoria da senadora disse que o caso está em segredo de Justiça e que os esclarecimentos estão sendo dados às autoridades. Lindbergh apresentou à reportagem vídeos antigos em que é atacado por Luiz Antônio. Em uma das gravações, o homem diz que o deputado seria um dos mandantes da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018, o que é falso. A Câmara informou que o boletim de ocorrência foi feito a pedido de Gaspar e que, “diante da citação de titular de prerrogativa de foro no curso da apuração, encaminhou o caso ao Supremo Tribunal Federal em maio de 2026, não tendo realizado novas diligências desde então”.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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