domingo, maio 3

O clássico entre Palmeiras e Santos, no Allianz Parque, terminou em 1 a 1, mas o que mais chamou a atenção foi a ausência de Neymar. Com mais de 40 mil pessoas no estádio, o jogo foi intenso e movimentado, mas o camisa 10 não entrou em campo. Não por lesão ou suspensão, mas por escolha própria.

Neymar se recusou a jogar no gramado sintético do Allianz Parque. Com isso, ele perdeu mais uma oportunidade de mostrar ao técnico Carlo Ancelotti que está em processo de recuperação. A convocação da seleção brasileira está marcada para o dia 18 de maio, e cada minuto em campo é importante para a avaliação do treinador.

Ao evitar o jogo no sintético, Neymar tira de Ancelotti a chance de observá-lo diretamente em uma partida. Ritmo, mobilidade, confiança e intensidade são medidos em jogo, não em treinos fechados ou relatórios médicos. O jogador simplesmente não esteve lá.

É legítimo que um atleta queira se preservar, mas a decisão gera questionamento justamente por interferir na avaliação técnica em um momento decisivo. Todos os outros jogadores entraram em campo nas mesmas condições.

O episódio ganha ainda mais relevância quando se considera a Copa do Mundo de 2026. A Fifa não permitirá gramados 100% sintéticos, mas vários estádios usarão o modelo híbrido, que combina grama natural com fibras sintéticas. Esse tipo de campo não é exatamente o que Neymar vem evitando.

Isso levanta um cenário desconfortável: se o argumento é o risco físico, como o jogador reagirá diante de um gramado híbrido em uma Copa? Ele jogará normalmente, imporá restrições ou selecionará partidas? Não é uma dúvida teórica, mas uma questão prática que pode impactar o planejamento da seleção.

No futebol de alto nível, adaptação é obrigação, não diferencial. Neste momento, Neymar parece caminhar na direção oposta. O clássico passou, o Palmeiras segue na liderança e o Santos continua pressionado. E Neymar segue sendo assunto, mas mais uma vez fora de campo.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados