segunda-feira, abril 20

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, voltou a ser presa nesta segunda-feira (20) após determinação do ministro Gilmar Mendes, do STF, na última sexta-feira.

A mãe de Henry Borel se entregou na 34ª DP de Bangu, na zona oeste do Rio, para cumprir prisão preventiva. Ela é acusada de matar o próprio filho em 2021.

Gilmar entendeu que a gravidade do delito e o histórico de coação de testemunhas justificam a manutenção da prisão preventiva. A decisão foi assinada na sexta-feira e recursos da defesa foram negados neste domingo, o que determinou que a acusada volte ao cárcere preventivamente.

O ministro viu risco à busca da verdade processual. Ele considerou que a soltura de Monique ocorreu antes do depoimento de testemunhas importantes. Monique havia sido solta em 23 de março após o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) considerar que o tempo de prisão preventiva havia excedido o período legal. Ela estava privada de liberdade há quatro anos.

Gilmar também apontou que Monique foi solta após manobra da defesa do ex-vereador Dr. Jairinho. Os advogados de Jairo Souza Santos Júnior, que também é réu no caso, abandonaram o júri afirmando que não tiveram acesso integral às provas do processo e que, por isso, não poderiam atuar.

A defesa irá fazer coletiva para falar sobre o caso. Em contato com a reportagem, os advogados de Monique disseram que vão falar com a imprensa à tarde.

Entenda o caso

A professora Monique Medeiros e o ex-vereador Dr. Jairinho, que era padrasto de Henry, respondem pelo assassinato do garoto. Eles alegam que Henry caiu da cama, mas a perícia indicou que ele foi vítima de agressões. O caso aconteceu na Barra da Tijuca, no Rio, em 8 de março de 2021.

O casal foi preso no mês seguinte à morte do menino. Monique chegou a deixar a cadeia em 2022, após decisão do STJ, mas voltou a ser presa em 2023 por determinação do STF e novamente solta em março.

Henry passou o fim de semana com o pai e voltou para a casa da mãe na noite de 7 de março de 2021. O engenheiro Leniel Borel deixou o filho por volta das 19h no condomínio onde moravam Monique Medeiros e o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca.

Na madrugada de 8 de março, Monique e Jairinho levaram Henry ao Hospital Barra D’Or. Eles relataram à equipe médica que a criança estava com dificuldade para respirar. O pai foi avisado e se dirigiu à unidade, onde encontrou médicos tentando reanimar o menino.

Médicos disseram que Henry chegou ao hospital já sem vida, e a necropsia apontou múltiplas lesões. O laudo descreveu 23 lesões e indicou que a causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática, além de outros achados como hematomas, trauma no pulmão e contusão no rim.

A primeira versão apresentada por Monique e Jairinho à polícia foi de que Henry teria sido encontrado caído no quarto. Em depoimento, eles disseram que deixaram a criança no quarto e foram ver TV; depois, mudaram para outro quarto por causa do barulho e, por volta das 3h30, Monique disse que encontrou o filho no chão, desacordado e gelado.

Monique afirmou que acreditava que o menino poderia ter caído da cama, mas a perícia apontou sinais de ação violenta. Um professor de medicina legal ouvido pelo UOL à época disse que, ao analisar o laudo, era possível afirmar que a criança sofreu uma ação violenta contra o corpo.

Jairinho responde por homicídio qualificado e é acusado de homicídio duplamente qualificado por meio cruel. Segundo o Ministério Público, houve dolo eventual, com o ex-vereador assumindo o risco de matar a vítima; a defesa nega.

Monique é acusada de homicídio por omissão de socorro e de homicídio qualificado na forma omissiva.

Para o Ministério Público, ela não teria agido para impedir as agressões contra o filho; a defesa nega e diz esperar que o júri reconheça a inocência dela.

Ambos foram presos em abril de 2021 e denunciados pelo MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). A acusação pede condenação de pelo menos 35 anos de prisão, enquanto os réus alegam inocência.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados