segunda-feira, agosto 17

Uma autoridade do governo dos Estados Unidos afirmou que o Brasil impôs censura ao X, antigo Twitter, por causa de uma regra eleitoral que alterou o funcionamento da plataforma. A mudança fez com que o sistema deixasse de recomendar publicações de candidatos para usuários que não seguem esses perfis.

A declaração foi feita neste domingo (16) por Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado para Diplomacia Pública. Ela comentou a divulgação de uma nova versão do código do sistema de recomendações do X, que passou a incluir um filtro voltado para as eleições brasileiras de 2026.

“Esse tipo de transparência algorítmica é exatamente o que muitos reguladores dizem querer. Ela também deixa explícita a censura imposta pelo Brasil”, escreveu Rogers.

O X informou que, para cumprir a legislação eleitoral do país, adotou no feed “Para Você” um mecanismo chamado Brazil2026ElectionFilter. Esse sistema impede que conteúdos publicados pelas contas oficiais de candidatos, informadas à Justiça Eleitoral, sejam recomendados a usuários que não seguem esses perfis.

A plataforma não suspende as contas nem remove as publicações. Os conteúdos seguem disponíveis nos perfis e podem ser acessados por qualquer usuário, mas deixam de ser distribuídos pelo sistema de recomendação para quem não segue as contas.

A medida está ligada à resolução do TSE nº 23.610/2019. A norma determina que plataformas com sistemas de recomendação devem excluir desses mecanismos os perfis oficiais informados pelas candidaturas e os conteúdos publicados por eles, com exceção dos casos de impulsionamento pago previstos em lei.

Ao anunciar a mudança, o X disse que agia em “estrito cumprimento” da resolução e que a medida afetaria a visibilidade e o alcance dos perfis dos candidatos e de seus conteúdos.

A fala de Rogers amplia a lista de desentendimentos entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos meses, os Estados Unidos aumentaram tarifas sobre produtos brasileiros, restringiram o visto da embaixadora do Brasil no país, Maria Luiza Viotti, e intensificaram críticas a decisões de autoridades brasileiras.

Na semana passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o governo Lula agiu de “má-fé” nas negociações comerciais com os EUA e atribuiu a essa postura parte da responsabilidade pelas tarifas impostas. Desde o ano passado, o governo Trump também critica decisões do Brasil sobre liberdade de expressão e regulação de plataformas digitais.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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