segunda-feira, maio 11

O governo da China afirmou nesta segunda-feira (11) que deseja trabalhar com os Estados Unidos para trazer “maior estabilidade” às relações internacionais. A declaração ocorre antes da chegada do presidente americano, Donald Trump, ao país asiático para uma cúpula de três dias com o líder chinês, Xi Jinping.

A visita está marcada para ocorrer entre quarta e sexta-feira. Inicialmente, o encontro estava previsto para o final de março, mas foi adiado por causa da guerra no Oriente Médio.

Esta será a primeira vez desde 2017, durante o primeiro mandato de Trump, que um presidente dos Estados Unidos visita a China. O antecessor de Trump, Joe Biden, não viajou ao país asiático em seus quatro anos de mandato.

As relações comerciais devem dominar as negociações. O encontro ocorre após um ano de confrontos entre os dois países, com tarifas e restrições. Antes da cúpula entre Xi e Trump, negociadores comerciais das duas nações — o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent — devem se reunir em Seul.

Em outubro, Xi e Trump concordaram com uma trégua temporária na guerra comercial. Há a possibilidade de que essa trégua seja estendida durante a visita. Além do comércio, a crise no Oriente Médio, iniciada com o ataque de 28 de fevereiro de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, será outro tema da cúpula.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que o país pretende trabalhar com os EUA “em pé de igualdade, em um espírito de respeito e preocupação com os interesses mútuos”. O objetivo, segundo ele, é “desenvolver a cooperação, gerir as diferenças e trazer mais estabilidade e segurança a um mundo instável e interdependente”.

A China é diretamente afetada pela guerra no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do gás e petróleo do mundo. O país é o principal importador de petróleo iraniano e um parceiro econômico e político importante para o Irã. Mais da metade das importações chinesas de petróleo por via marítima vêm do Oriente Médio e passam pelo Estreito de Gibraltar, segundo a empresa de pesquisa Kpler.

Trump chegará à China na noite de quarta-feira. Na quinta-feira, haverá uma cerimônia de boas-vindas e uma reunião bilateral com Xi Jinping em Pequim, seguida de uma visita ao Templo do Céu e um banquete de Estado. Na sexta-feira, os líderes terão um chá bilateral e um almoço de trabalho antes do retorno de Trump a Washington.

Especialistas apontam que Xi Jinping chega à cúpula em uma posição de relativa força em comparação com Trump, que está envolvido no conflito do Oriente Médio e sob pressão das eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro. Desde o início da guerra, a China moderou suas críticas aos Estados Unidos e seu apoio ao Irã.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou sanções contra três empresas com sede na China, acusadas de fornecer imagens de satélite usadas pelo Irã. O Departamento do Tesouro também sancionou empresas na China continental e em Hong Kong por suposta contribuição ao fornecimento de armas ao Irã. A China se opõe às “sanções unilaterais ilegais”. Guo Jiakun afirmou que “o mais urgente é impedir a retomada do conflito, não explorá-lo para difamar outros países”.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados