quinta-feira, agosto 6

As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, ao longo de 2025. No mesmo período, essas empresas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix.

Os dados fazem parte da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) em parceria com o Cicef (Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento). O levantamento usa informações do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e cálculos próprios.

O valor de R$ 62,5 bilhões representa o montante líquido das apostas, ou seja, a diferença entre o dinheiro que os usuários depositaram e o que as empresas devolveram em prêmios. Segundo o boletim, esse total equivale a cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias.

O estudo aponta que, até meados de 2024, os pagamentos feitos por pessoas físicas para empresas do setor de artes, cultura, esporte e recreação e os valores devolvidos por essas empresas permaneciam em níveis parecidos. A partir de 2025, com a regulamentação das bets e a obrigatoriedade de cadastro das empresas em janeiro, os pagamentos cresceram de forma expressiva, enquanto as devoluções aumentaram em ritmo bem menor.

“Esse comportamento indica que o setor passou a absorver um volume substancial de recursos das famílias sem devolução proporcional, característica típica dos mercados de apostas, nos quais apenas uma parcela dos valores apostados retorna aos jogadores na forma de premiações”, diz o documento.

Os números do boletim são superiores aos registrados pelo Ministério da Fazenda para as casas de apostas autorizadas a operar no país em 2025. Segundo a pasta, a receita das bets legais somou R$ 36,9 bilhões. Já um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável), estima que as bets clandestinas representaram entre 41% e 51% do mercado total.

A diferença entre a estimativa do Comsefaz (R$ 62,5 bilhões) e o dado da Fazenda (R$ 36,9 bilhões) é de R$ 25,6 bilhões, o que equivale a cerca de 41% do total estimado pelo boletim. Esse percentual coincide com o piso da faixa projetada pela LCA, embora os levantamentos não sejam diretamente comparáveis.

O boletim também avaliou o impacto da entrada das bets no mercado regulamentado sobre o volume de transações via Pix entre outubro de 2024 e março de 2026. Os pesquisadores fizeram uma simulação estatística para estimar qual seria o volume esperado de transferências sem a mudança causada pela regulamentação e compararam com os valores registrados. A diferença foi interpretada como o impacto das bets, mas os autores ressaltam que o resultado não representa uma relação de causa e efeito comprovada.

O volume médio mensal adicional atribuído às bets foi estimado em R$ 24,1 bilhões. Considerando apenas o ano de 2025, o acumulado chega a R$ 350,97 bilhões.

O estudo destaca ainda que a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, em outubro de 2025, provocou uma desaceleração no crescimento das transações e uma aproximação entre o volume estimado e o observado. Para os pesquisadores, esse efeito sugere que as famílias de menor renda têm participação relevante no mercado de apostas esportivas online.

“Em conjunto com os elevados níveis de endividamento e de comprometimento da renda, esse resultado reforça o diagnóstico de vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras no atual ciclo econômico”, afirma o estudo.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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