A maioria dos brasileiros que apostou em jogos da Copa do Mundo não ganhou dinheiro. É o que mostra pesquisa Datafolha, segundo a qual 63% dos apostadores afirmam que não tiveram lucro com as apostas no torneio. Desse total, 48% dizem ter perdido dinheiro e 15% afirmam que não ganharam nem perderam. Os outros 37% relatam que ganharam mais do que perderam.
O levantamento indica que 6% dos brasileiros maiores de idade fizeram apostas esportivas em jogos da Copa. A pesquisa excluiu apostas em outras modalidades e caça-níqueis online, como o Fortune Tiger, o chamado jogo do tigrinho. Foram ouvidas 2.004 pessoas em 139 municípios nos dias 22 e 23 de julho, logo após a final do Mundial. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
As casas de apostas esportivas, que também operam cassinos online, estiveram entre os principais patrocinadores da edição deste ano do torneio. A Betano, empresa grega com a maior base de consumidores no país, comprou letreiros à beira dos gramados. O valor do acordo não foi divulgado. A controladora da Betano, Kaizen Gaming, foi a primeira plataforma a fechar patrocínio com a Fifa, ainda em 2022.
Nas transmissões da Copa, feitas pelos canais CazéTV, Globo, SBT e Nsports, os sites de apostas BetNacional, Bet365, KTO, Esportes da Sorte e BetMGM exibiram anúncios nos intervalos e nas pausas para hidratação, uma novidade do torneio nos EUA, com parada de três minutos aos 22 minutos de cada tempo.
A parcela de apostadores na Copa é de 9% entre os homens e de 3% entre as mulheres. Em maio, outra pesquisa Datafolha mostrou que 7% das pessoas com 18 anos ou mais apostavam com regularidade, mas a pergunta englobava qualquer modalidade de aposta, o que impede comparação direta.
Balanços do setor indicam que a maior parte das receitas das casas de apostas vem dos jogos eletrônicos, embora algumas empresas afirmem faturar mais com prognósticos esportivos. A Copa fez crescer o número de apostadores e o valor médio dos depósitos nos sites, segundo levantamentos do setor. O resultado, porém, ficou abaixo do projetado por causa da eliminação precoce da seleção brasileira e da crise de imagem gerada pelas propagandas nas transmissões.
A pesquisa Datafolha de julho mostra ainda que o interesse do brasileiro por futebol recuou. Em julho, 64% declararam ter interesse no esporte, sendo 28% com muito interesse e 35% com um pouco. Outros 36% dizem não ter nenhum interesse. Na pesquisa anterior, feita em 2023, 72% afirmaram ter interesse e 28% disseram não ter.
