quinta-feira, agosto 13

O Banco Central multou o Banco Genial em R$ 21,56 milhões por irregularidades em operações de câmbio, falhas na comunicação de operações suspeitas ao Coaf e deficiências em controles internos. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (12) pelo Copas (Comitê de Decisão de Processo Administrativo Sancionador) da autoridade monetária.

O comitê também decidiu pela inabilitação do CEO do banco, André Schwartz, que foi multado em R$ 516 mil. Outros dois executivos também receberam punições, com multas que somam R$ 912 mil, e um deles também foi inabilitado.

De acordo com o relator do caso, Climério Leite, Schwartz atuou entre 2017 e 2021, quando era diretor responsável pelas operações de crédito, na contratação de US$ 520 milhões com clientes não certificados, considerados sem qualificação para a operação. Segundo o relator, ele não demonstrou conduta para mitigar as irregularidades.

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que Schwartz será afastado da instituição e de seu mandato como CEO. A chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro (Deorf), Carolina Bohrer, também acompanhou o voto do relator.

O comitê multou ainda William Kenzo Yoshiro em R$ 732 mil, também pela atuação no câmbio. Ele foi considerado responsável pela contratação de US$ 687 milhões com clientes não certificados, em operações feitas entre março e outubro de 2021, e foi inabilitado por seis anos. Luis José Rebello de Resende, diretor de controles internos do Genial até 2025, foi multado em R$ 180 mil.

Uma das acusações aponta que, entre novembro de 2020 e outubro de 2021, o Genial realizou 2.038 operações de câmbio com nove clientes, totalizando US$ 1,208 bilhão, sem certificar adequadamente sua qualificação e capacidade financeira. Quatro desses clientes movimentaram US$ 1,154 bilhão em ativos virtuais.

Em sua defesa, o banco afirmou que adotava análise rigorosa, que a pandemia impediu visitas presenciais e que as operações eram de arbitragem com limites compatíveis com o caixa dos clientes. O BC contestou, dizendo que saldo pontual de caixa não comprova fluxo financeiro e que extratos indicavam recursos vindos de contrapartes e atividade de intermediação.

O BC também acusou o Genial de ter estrutura de controles internos e avaliação de risco incompatíveis com seu porte. O banco argumentou que o período foi ampliado indevidamente e defendeu seus manuais e políticas. O órgão regulador aceitou parte da defesa, mas concluiu que persistiam deficiências em riscos, efetividade de controles e registro de boletos.

O banco também foi acusado de atrasar ou omitir comunicações ao Coaf sobre 502 operações suspeitas, que somam US$ 421,18 milhões, de um cliente. O Genial alegou que o porte do cliente justificava os volumes. O BC, porém, considerou haver irregularidade devido à demora em reportar uma situação atípica que era do conhecimento do banco desde dezembro de 2021.

Em nota, o Genial afirmou que cumpriu todas as normas aplicáveis na época dos fatos. O banco disse que o Copas interpretou fatos de mais de cinco anos atrás a partir de normas que entraram em vigor somente em fevereiro deste ano. A instituição também destacou que o processo teve 21 absolvições e que adotará medidas para anular as condenações que considera injustas.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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