quinta-feira, maio 7

O Ministério da Justiça elevou a classificação indicativa do YouTube de 14 para 16 anos nesta terça-feira. A decisão foi baseada em uma análise da Secretaria Nacional de Direitos Digitais, que identificou elementos como a mecânica de rolagem infinita, a presença de referências sexuais, o uso de drogas e as chamadas “novelas de frutas” como fatores para a mudança.

A medida está prevista no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), legislação que estabelece novas regras para proteger menores na internet e obriga as plataformas a verificar a idade dos usuários.

A avaliação foi dividida em quatro blocos: violência, sexo e nudez, drogas e interatividade. No eixo de violência, foram identificadas tendências como tortura, mutilação, estupro, suicídio e apologia à violência. A nota técnica destaca que, mesmo em situações fictícias, o grafismo e a verossimilhança das cenas podem causar forte impacto emocional e psicológico em crianças e adolescentes.

O documento cita as “novelas de frutas”, personagens antropomórficos com aparência atrativa para o público jovem, que emulam estilos de grandes estúdios, mas abordam temas complexos como apelo sexual, violência doméstica, tráfico e consumo de drogas. Segundo a nota, os entorpecentes são representados como temperos, mas com efeitos de dependência similares aos reais. Alguns homicídios apresentam lesões e sangramentos, aumentando o impacto visual.

No eixo de sexo e nudez, os avaliadores apontaram a linguagem chula e cenas de sexo na plataforma. Apesar de a nudez ser mais comum em contas verificadas, é possível encontrar esse tipo de conteúdo por meio de palavras-chave. Foram citados também “apetrechos sexuais, como consolos ou genitálias de silicone”. A nota menciona que usuários postam obras com imagens espelhadas ou tarjas parciais para burlar a moderação, exibindo situações como necrofilia, zoofilia e sexo grupal.

No eixo de drogas, a Secretaria afirma que canais exibem pessoas reais consumindo substâncias lícitas e ilícitas, além de prática de jogos de azar. Influenciadores fazem parcerias com plataformas de apostas, estimulando essa atividade.

Por fim, no eixo de interatividade, foram identificados compartilhamento de dados e curadoria algorítmica com engajamento direcionado. A plataforma utiliza informações pessoais e comportamentais para personalizar experiências e recomendar conteúdos. Mecanismos como reprodução automática, rolagem infinita e vídeos curtos altamente estimulantes também contribuíram para a decisão.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados