sexta-feira, maio 29

A venda de livros no Brasil registrou crescimento em 2025, de acordo com a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro. O levantamento é coordenado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), com apuração da Nielsen BookData.

Divulgado nesta quinta-feira, 28, o estudo mostra que foram vendidos ao mercado 185 milhões de exemplares físicos. O número representa um aumento de 6,5% em relação a 2024. O faturamento com essas vendas chegou a R$ 4,5 bilhões, um crescimento nominal de 7,7% e de 3,3% em termos reais.

As editoras de Obras Gerais tiveram o melhor desempenho entre os subsetores. Elas representaram 48% das vendas ao mercado. Os livros religiosos aparecem em segundo lugar, com 30%, seguidos pelos didáticos (16%) e pelos científicos, técnicos e profissionais (CTP), com 6%.

Considerando as vendas para o mercado e para o governo, foram produzidos 100 milhões de exemplares de Obras Gerais, um aumento de 14,9%. Foram vendidos 102 milhões, alta de 20,7%, com faturamento de R$ 1,8 bilhão, crescimento de 11,1%. Em termos reais, o avanço foi de 6,6%.

Esse resultado está ligado, em parte, ao fenômeno dos livros de colorir, que se tornou popular em 2025. A pesquisa também reafirma os dados do Panorama do Consumo de Livros, divulgado em março, que apontou os jovens adultos, de 18 a 34 anos, como os maiores consumidores de livros no país.

Sevani Matos, presidente da CBL, afirma que o Panorama do Consumo de Livros mostrou um aumento no número de consumidores, especialmente entre jovens e públicos conectados às redes sociais. Ela diz que a pesquisa de Produção e Vendas indica que esse movimento começou a se refletir no desempenho econômico do setor.

Entre os gêneros, o maior crescimento no faturamento foi registrado por Didáticos e Ficção Adulta, ambos com alta de 12% em relação a 2024. O segmento Religiosos cresceu 7%, e Infantil e Juvenil, 5,3%. Não Ficção Adulta teve o menor aumento, de 2,6%, embora tenha liderado o crescimento de exemplares vendidos, com 15,4%.

O segmento Religiosos ainda lidera em número de exemplares vendidos, seguido por Não Ficção Adulta, Infantil e Juvenil, Ficção Adulta e Didáticos.

As vendas ao governo tiveram queda de 9,9% no faturamento em comparação com 2024. Somando vendas ao mercado e ao governo, o mercado recuou 2,9%. A pesquisa aponta que essa variação é comum, pois as vendas ao governo são sazonais. No ano anterior, elas haviam puxado o resultado para cima.

O faturamento com vendas a livrarias cresceu 12,4%. Já as livrarias exclusivamente virtuais tiveram alta de 1,5%. Em 2025, as lojas físicas representaram 28,9% do faturamento do setor.

Sevani Matos afirma que os dados mostram crescimento da participação das livrarias no faturamento das editoras e no volume de exemplares vendidos. Para ela, as livrarias seguem tendo um papel como espaço de descoberta, experiência cultural e conexão entre leitores e livros.

A pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro também foi divulgada. Ela mostra que a venda de livros digitais segue em crescimento. As editoras têm um acervo de 149 mil títulos, sendo 90% em e-book e 10% em audiolivros.

Foram vendidas 13,2 milhões de unidades avulsas, sem fazer parte de serviços de assinatura. Os livros de ficção representaram o maior percentual de vendas, com 41%, pela primeira vez. Não ficção aparece com 39%, e CTP, com 20%.

O faturamento com vendas avulsas foi de R$ 188,2 milhões, um crescimento real de 5,8%. Em outras categorias, como plataformas educacionais, bibliotecas virtuais, cursos online e assinaturas, o faturamento foi de R$ 265,5 milhões, alta de 5,3%.

A pesquisa também traz outros números. Foram 45 mil títulos lançados, sendo 24% novos títulos e 76% reimpressões. Foram produzidos 367 milhões de exemplares, dos quais 53% são didáticos, 28% obras gerais, 15% religiosos e 4% CTP. O preço médio do livro é de R$ 24,38, um aumento de 1,1%.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados