sábado, junho 6

A agência de classificação de risco S&P Global rebaixou, nesta sexta-feira (5), a nota de crédito do BRB (Banco de Brasília). A classificação foi de “brB-/brB” para “brCCC+/brC”, o que indica que o banco é “altamente vulnerável e dependente de condições comerciais, financeiras e econômicas favoráveis para cumprir compromissos financeiros”.

O rebaixamento ocorre dias após um acordo entre o governo do Distrito Federal e a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para viabilizar um socorro de até R$ 6,5 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) à instituição. A capitalização busca cobrir o rombo deixado por operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Segundo a S&P, a nova nota reflete “a crescente incerteza e os riscos de execução associados ao plano de capitalização, que, em nossa visão, passou a ser o principal desafio do banco diante das perdas decorrentes dos eventos recentes”. Desde o lançamento da Operação Compliance Zero, diz a agência, o BRB enfrenta desafios relacionados à compra de ativos fraudulentos do Banco Master, condutas de executivos de alto escalão, fragilidades de governança e conflitos de interesse.

Os termos do empréstimo ainda estão sendo discutidos. De acordo com Celina Leão, governadora do Distrito Federal, a proposta prevê pagamento em 15 anos e prazo de carência de dois anos. A taxa de juros não foi divulgada. A operação não contará com aval da União, mas o governo federal concordou em ampliar o limite de crédito do Distrito Federal para viabilizar o plano. Atualmente, a gestão distrital esbarra no teto de cerca de R$ 900 milhões do PAF (Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal).

Com o acordo, a União calcula que seja possível um empréstimo entre R$ 6 bilhões e R$ 6,5 bilhões junto ao FGC, com base em uma resolução do Senado que limita a 16% da receita corrente líquida as operações de crédito para estados e municípios. A garantia do empréstimo virá de um grupo formado pelos maiores bancos públicos e privados do país, incluindo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

A S&P aponta que as iniciativas estão sujeitas a uma estruturação complexa, que depende de condições de mercado e dinâmicas institucionais. “Esse cenário eleva o risco de atrasos e incertezas diante da necessidade de capitalização estimada entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões“, afirma a agência. “Descompassos no cronograma ou insuficiência de recursos podem elevar o risco de liquidação da instituição.”

A materialização do acordo ainda enfrenta desafios de cronograma e riscos de impasses legislativos. “Esse cenário, somado à volatilidade de um ano eleitoral e às pressões orçamentárias do Distrito Federal, aumenta as incertezas quanto ao reforço de capital previsto.” A nova nota também considera possíveis desdobramentos da Operação Compliance Zero, que podem impactar a liquidez e a reputação do banco.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados