terça-feira, maio 12

Um grupo de associações, comercializadoras e representantes do setor de energia assinou um manifesto defendendo a redução do parâmetro de aversão ao risco do sistema elétrico. As entidades estimam que a manutenção do patamar atual pode gerar um custo adicional de R$ 5,4 bilhões com o acionamento de usinas termelétricas. O tema será discutido pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta semana.

O documento é assinado pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace Energia), Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE), Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN) e Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE).

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) utiliza uma ferramenta chamada CVaR (Conditional Value-at-Risk) para analisar cenários hidrológicos de longo prazo. O objetivo é prever quedas no volume de chuvas e no nível dos reservatórios para minimizar os riscos de uma crise hídrica. Esse parâmetro define a probabilidade de escassez e influencia diretamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Quanto maior o risco, maior o preço da energia, o que leva ao despacho de mais termelétricas e ao acionamento de bandeiras tarifárias.

Até 2024, o modelo considerava uma chance de 30% de escassez hídrica com base nos 15 piores cenários (parâmetro “15/30”). Após a atualização, o índice passou para “15/40”, ou seja, o sistema agora enxerga 40% de probabilidade de um cenário de escassez.

O CMSE se reúne na próxima quarta-feira, 13, para debater os parâmetros que serão adotados em 2027. No ano passado, o comitê decidiu manter para 2026 os mesmos índices usados em 2025.

“Estará em definição os custos que suportarão a segurança energética em 2027, mais objetivamente, o nível estimado de térmicas que serão utilizadas para complementariedade da geração hidrelétrica. O ponto central desse debate é a relação entre custo e benefício”, afirma o manifesto.

As entidades destacam que os parâmetros atuais já resultam em um custo de R$ 51,6 bilhões com geração termelétrica para garantir o atendimento do sistema mesmo em cenários hidrológicos extremos. “A contratação ou despacho adicional que elevaria esse montante em R$ 5,4 bilhões não encontra justificativa técnica ou econômica consistente. Trata-se de custo incremental elevado, associado a benefício marginal reduzido”, conclui o texto.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados