quinta-feira, agosto 20

O PT planeja intensificar os ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o anúncio dos Estados Unidos de novas tarifas contra produtos brasileiros. O partido do presidente Lula deverá usar o termo “tariflávio” para associar o senador às medidas americanas, além da pecha de traidor da pátria.

Integrantes do PT comemoraram o aumento da rejeição do adversário, apontado pela pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). A avaliação do partido é que a piora na imagem do senador tem o tarifaço como uma das motivações.

A gestão Trump anunciou novas tarifas contra o Brasil após uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras. O entorno de Lula avalia que a investigação foi aberta para justificar as novas tarifas e dava como certa a imposição das sobretaxas.

O tarifaço de Trump se tornou um assunto de política interna e deve ser um dos temas mais explorados na campanha eleitoral deste ano. O motivo é a afinidade do bolsonarismo, força política adversária de Lula, com o presidente dos Estados Unidos.

Em 2025, quando anunciou as primeiras sobretaxas, Trump vinculou a medida ao julgamento que condenaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos, onde diz atuar junto ao governo americano contra a gestão Lula.

Para conter o efeito negativo do tarifaço sobre sua imagem, Flávio Bolsonaro pediu às autoridades dos EUA que adiassem a decisão sobre as tarifas para depois da eleição. O argumento é que a imposição de taxas agora fortaleceria Lula.

Na terça-feira (14), dirigentes petistas discutiram com integrantes do Palácio do Planalto a forma de reagir politicamente às tarifas para o público interno. A cúpula do partido passou a considerar três cenários: a confirmação do tarifaço, o adiamento da decisão americana, considerado improvável, e a suspensão das tarifas, considerada quase impossível.

No segundo semestre de 2025, depois do primeiro tarifaço, Lula recorreu a um discurso de soberania nacional que ajudou a melhorar sua imagem em pesquisas. O presidente agora quer manter esse tom até a eleição.

Aliados de Lula avaliam que o tema faz parte de um conjunto de fatos políticos que aumentam a rejeição a Flávio Bolsonaro. Também estão nesse pacote o caso “Dark Horse”, com um áudio em que o senador pedia dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para produzir um filme sobre Jair Bolsonaro, e o vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro o critica publicamente.

A pesquisa Quaest mostra que, de abril para cá, a rejeição a Flávio Bolsonaro aumentou. O percentual que diz conhecer o senador e não votar nele subiu de 52% em abril para 57% em julho, variação acima da margem de erro de dois pontos percentuais. No caso de Lula, a rejeição saiu de 55% para 50% no mesmo período, variação também maior que a margem de erro.

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Cristina Leroy Silva, autora do portal
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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