O PT planeja intensificar os ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o anúncio dos Estados Unidos de novas tarifas contra produtos brasileiros. O partido do presidente Lula deverá usar o termo “tariflávio” para associar o senador às medidas americanas, além da pecha de traidor da pátria.
Integrantes do PT comemoraram o aumento da rejeição do adversário, apontado pela pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). A avaliação do partido é que a piora na imagem do senador tem o tarifaço como uma das motivações.
A gestão Trump anunciou novas tarifas contra o Brasil após uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras. O entorno de Lula avalia que a investigação foi aberta para justificar as novas tarifas e dava como certa a imposição das sobretaxas.
O tarifaço de Trump se tornou um assunto de política interna e deve ser um dos temas mais explorados na campanha eleitoral deste ano. O motivo é a afinidade do bolsonarismo, força política adversária de Lula, com o presidente dos Estados Unidos.
Em 2025, quando anunciou as primeiras sobretaxas, Trump vinculou a medida ao julgamento que condenaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos, onde diz atuar junto ao governo americano contra a gestão Lula.
Para conter o efeito negativo do tarifaço sobre sua imagem, Flávio Bolsonaro pediu às autoridades dos EUA que adiassem a decisão sobre as tarifas para depois da eleição. O argumento é que a imposição de taxas agora fortaleceria Lula.
Na terça-feira (14), dirigentes petistas discutiram com integrantes do Palácio do Planalto a forma de reagir politicamente às tarifas para o público interno. A cúpula do partido passou a considerar três cenários: a confirmação do tarifaço, o adiamento da decisão americana, considerado improvável, e a suspensão das tarifas, considerada quase impossível.
No segundo semestre de 2025, depois do primeiro tarifaço, Lula recorreu a um discurso de soberania nacional que ajudou a melhorar sua imagem em pesquisas. O presidente agora quer manter esse tom até a eleição.
Aliados de Lula avaliam que o tema faz parte de um conjunto de fatos políticos que aumentam a rejeição a Flávio Bolsonaro. Também estão nesse pacote o caso “Dark Horse”, com um áudio em que o senador pedia dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para produzir um filme sobre Jair Bolsonaro, e o vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro o critica publicamente.
A pesquisa Quaest mostra que, de abril para cá, a rejeição a Flávio Bolsonaro aumentou. O percentual que diz conhecer o senador e não votar nele subiu de 52% em abril para 57% em julho, variação acima da margem de erro de dois pontos percentuais. No caso de Lula, a rejeição saiu de 55% para 50% no mesmo período, variação também maior que a margem de erro.
