quarta-feira, agosto 19

O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) ajuizou, nesta quinta-feira (9), uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e a casa de apostas Blaze. O órgão pede a condenação de ambos ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de, no mínimo, R$ 120 milhões. Também solicita medidas para restringir a divulgação de apostas considerada irregular.

A ação foi protocolada no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) após investigação iniciada em 2023. Segundo o MP, a Blaze operava sem autorização federal na época. O órgão afirma ter recebido denúncias de consumidores sobre retenção de valores, bloqueio de contas e dificuldades para resgatar depósitos. Um relatório com mais de 42 mil reclamações contra a plataforma foi reunido.

Entre os fatos apontados está uma publicação de Virginia durante a Copa do Mundo de 2026. O Ministério Público afirma que a influenciadora compartilhou nos stories do Instagram uma aposta na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina sem identificar claramente que se tratava de publicidade. Para os promotores, a postagem simulava uma recomendação espontânea e poderia induzir seguidores a apostar. A ação sustenta que Virginia teria recebido comissão de 30% das perdas dos usuários atraídos pela campanha.

“A conduta da Blaze, em coautoria com Virginia Fonseca, e demais agentes de seu ecossistema empresarial, não se limita a ilícitos pontuais, mas estrutura uma engenharia predatória de exploração de vulnerabilidades cognitivas em escala massiva, gerando externalidades negativas sistêmicas”, diz um trecho da ação.

O MP estima que a Blaze movimente cerca de R$ 600 milhões por ano em receita bruta com jogos. O processo cita um inquérito da Polícia Civil de Mato Grosso que concluiu que a empresa usava influenciadores e celebridades para atrair consumidores com promessas de ganhos rápidos. Servidores do MPDFT criaram contas na plataforma para acompanhar campanhas publicitárias e estratégias de marketing da operadora.

Além da indenização, o Ministério Público pede que Virginia e a Blaze financiem campanhas educativas sobre os riscos das apostas, do superendividamento e da ludopatia. Também solicita que a influenciadora retire imediatamente das redes sociais conteúdos que prometam lucros irreais, incentivem apostas em eventos esportivos específicos ou usem publicidade disfarçada. Em caso de descumprimento, o órgão pede multa diária de R$ 500 mil.

O promotor Paulo Binicheski afirmou, em nota, que a ação busca enfrentar um problema que vai além da publicidade irregular. “Estamos diante de um problema de saúde pública relacionado à ludopatia, que tem provocado graves prejuízos financeiros e sociais”, disse.

Virginia já foi alvo da CPI das Bets. Em 2025, a relatora da comissão, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), pediu o indiciamento da influenciadora pelos crimes de estelionato e propaganda enganosa. Na ocasião, a defesa disse ter recebido o pedido com “surpresa e espanto” e afirmou que Virginia sempre atuou dentro da legalidade.

Procurada, a defesa de Virginia informou que tomou conhecimento da ação pela imprensa e que apresentará sua manifestação no processo. Os advogados negam qualquer atuação ilícita ou conluio com a Blaze e afirmam confiar que a improcedência dos pedidos será demonstrada à Justiça. A Foggo Entertainment Ltda., responsável pela operação da Blaze no Brasil, declarou que ainda não foi formalmente intimada. A empresa afirmou que atua em conformidade com a legislação e prestará esclarecimentos após receber a notificação oficial.

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Cristina Leroy Silva, autora do portal
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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