sexta-feira, agosto 14

Um avião da frota pessoal de Daniel Vorcaro segue operando entre América do Sul, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio mesmo após a prisão mais recente do ex-banqueiro, ocorrida em 4 de março. Desde então, foram registrados 16 voos internacionais.

Em todas as viagens, o ponto de partida ou chegada foi Assunção, capital do Paraguai. Segundo dados de localização da aeronave, o jatinho não passou pelo Brasil em nenhum momento. A defesa de Vorcaro não explicou os motivos do uso do avião, e não há registros públicos sobre os passageiros.

Enquanto Vorcaro negociava uma delação premiada na prisão, em Brasília, o avião passou por cidades como Nova York, Mônaco e Dubai.

O jato de prefixo PR-PSE foi comprado por Vorcaro em junho de 2023 por cerca de R$ 120 milhões. Ele está registrado em nome da Viking, holding patrimonial do ex-banqueiro. A aeronave possui duas ordens judiciais de bloqueio, o que impede sua venda ou transferência. Não há informações no Registro Aeronáutico Brasileiro sobre sublocação.

O Gulfstream GV-SP, fabricado em 2010, era o mais caro da frota da Viking, que tem três aeronaves. Vorcaro usava o jato com frequência para deslocamentos próprios ou para emprestar a terceiros.

A aeronave está fora do Brasil desde 20 de agosto de 2025, meses antes da primeira prisão de Vorcaro. Na ocasião, o jato saiu de Belo Horizonte com destino à Flórida, nos Estados Unidos. A prisão do ex-banqueiro e a liquidação do Banco Master ocorreram três meses depois, em 18 de novembro.

Especialistas em direito aeronáutico ouvidos pela reportagem avaliam que o atual usuário do avião, seja quem for, pode estar evitando o Brasil por receio de apreensão pela Polícia Federal, que investiga possíveis crimes de Vorcaro.

A defesa de Vorcaro foi procurada desde o dia 6 de agosto para comentar o caso, mas não respondeu.

Vorcaro está detido desde 4 de março. Ele passou pela superintendência da PF em Brasília e atualmente está no Núcleo de Custódia da Polícia Militar, conhecido como Papudinha.

Dez dias após a prisão, em 14 de março, o jato saiu da Flórida rumo a Assunção, que se tornou sua nova base. A aeronave estava em Fort Lauderdale desde 15 de janeiro, parada por dois meses.

A partir da chegada a Assunção, a atividade do jatinho aumentou. Em 16 de março, ele voltou a Miami e retornou a Assunção em 20 de março. No dia 24 de março, seguiu novamente para Miami, onde permaneceu até 19 de abril. Naquele dia, voou para Paris, com paradas em Barbados e Hannover. Em 22 de abril, deixou a capital francesa e retornou a Assunção.

Em 28 de abril, fez novo voo de Assunção para Nova York. Dois dias depois, seguiu para Dubai, com parada em Malta. O jato voltou a Assunção em 6 de maio, com parada em Luanda, capital de Angola.

Em 9 de maio, partiu novamente para Nova York. Cinco dias depois, foi para Anguilla, no Caribe, onde ficou por três dias antes de voltar a Assunção em 17 de maio. Em 28 de maio, seguiu para Mônaco e retornou em 3 de junho. A última viagem ocorreu em julho, com destino à Filadélfia, nos Estados Unidos, e retorno a Assunção no dia 20, com parada em Washington.

O Gulfstream era citado com frequência por Vorcaro em conversas com a ex-noiva Martha Graeff. Ela usou o avião em 1º de junho de 2024 para encontrá-lo em Arusha, na Tanzânia. Em agosto daquele ano, o casal viajou da Flórida à Croácia. Em dezembro, Martha usou o jatinho para encontrar Vorcaro em São Paulo.

Em 2025, houve um voo de Martha em 12 de maio, da Flórida para São Paulo, e um voo de Vorcaro de Gênova, na Itália, para Orlando, em 29 de agosto.

Segundo a revista Piauí, o nome do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria aparece na lista de passageiros de uma viagem a Nova York feita no avião. Faria disse à publicação que pagou pela viagem.

Registros do aeroporto executivo de Brasília mostram que Vorcaro usou o jatinho em 2 de fevereiro de 2025 para ir de Brasília a Trancoso, na Bahia.

Em setembro de 2025, Vorcaro vendeu 55% da Viking ao Stern Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. Segundo o agente responsável pela liquidação do banco, a operação manteve a empresa sob domínio do grupo. O Stern pertence aos fundos Nauatle, no Brasil, e Faex Fund, nas Bahamas. O liquidante do Master afirma que o Faex Fund pertence ao próprio Master.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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