domingo, agosto 2

O Conselho de Ministros da Itália aprovou, em 23 de julho, um projeto de lei que altera as regras para a responsabilização penal de adolescentes entre 14 e 17 anos. A proposta, apresentada pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, com participação do ministro da Justiça, Carlo Nordio, segue agora para análise do Parlamento italiano.

Na Itália, menores de 14 anos não são penalmente responsáveis. Para a faixa entre 14 e 18 anos, o artigo 98 do Código Penal define que a responsabilização depende da avaliação da capacità d’intendere e di volere, ou seja, a capacidade de compreender as consequências dos próprios atos. O debate atual não trata de reduzir a idade mínima, mas de mudar a forma como essa capacidade é avaliada.

O ponto central da proposta é a criação de uma presunção relativa de capacidade para adolescentes dessa faixa etária. Na prática, a Justiça partiria do pressuposto de que o jovem tem capacidade de entender e querer, mas ainda seria possível provar o contrário durante o processo. Meloni resumiu a mudança: “antes, presumia-se a incapacidade; hoje, presume-se a responsabilidade”.

O governo defende a medida como parte de uma política mais ampla de segurança pública, citando episódios com menores armados e crimes em grupo. Meloni afirmou que “qualquer pessoa que agredir, roubar ou causar danos deve pagar. Sempre. Mesmo que tenha quinze ou dezesseis anos”. O Executivo também mencionou o uso de adolescentes por adultos e organizações criminosas como um ponto a ser enfrentado.

Apesar do endurecimento do discurso, a primeira-ministra reconheceu que a lei não resolve o problema sozinha. Entre as frentes citadas pelo governo estão apoio às famílias, educação, capacitação profissional, esporte e recuperação de áreas urbanas degradadas. “Firmeza sem alternativas não basta, mas alternativas sem firmeza não resolvem o problema”, disse.

A legislação italiana permanece inalterada neste momento. O projeto ainda passará pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, onde poderá ser modificado antes de uma eventual aprovação definitiva. Até lá, seguem valendo as regras atuais do Código Penal e do sistema de Justiça juvenil italiano.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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