sexta-feira, maio 29

Um homem de 43 anos, identificado como Tiago Alves, afirma ter sido agredido após reclamar do som alto de uma igreja localizada em frente à sua casa, em Balneário Camboriú, Santa Catarina. A Polícia Civil está investigando o caso, que ocorreu no dia 18 de maio.

Segundo o relato da vítima, ele foi até o templo incomodado com o barulho e iniciou uma discussão com outro homem. Alves diz que o suspeito mandou que ele voltasse para casa e parasse de reclamar. A situação escalou para ameaças e, em seguida, agressões físicas. A vítima afirma ter levado ao menos quatro socos.

Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que Alves cai no chão, recebe socos no rosto e é socorrido por pessoas que estavam no local. O vídeo também mostra o suspeito sendo levado para dentro da igreja. “Só descobri que ele era guarda municipal depois da agressão, na delegacia”, disse Alves, que é pai de uma criança autista de 9 anos.

Alves ficou inconsciente por alguns minutos e precisou levar seis pontos na boca. “Para mim, isso foi tentativa de homicídio, porque fiquei inconsciente. Levei quatro socos na fronte, isso poderia ter causado um problema muito sério”, afirmou. “Essa agressão machuca muito não só fisicamente, mas psicologicamente também.”

A Igreja Assembleia de Deus Missão Avivalista (ADMA) classificou a agressão como um “fato isolado” e disse que espera que a investigação criminal seja conduzida de forma técnica e imparcial para apontar os responsáveis. A Guarda Municipal de Balneário Camboriú e a Prefeitura não responderam aos contatos da reportagem.

A Polícia Civil informou que aguarda um laudo pericial complementar para dar continuidade às investigações e realizar novas oitivas.

O conflito entre Alves e a igreja já dura mais de quatro anos. A vítima afirma que já registrou mais de 17 boletins de ocorrência contra o templo e que houve ao menos três tentativas frustradas de acordo. Em março de 2025, o Ministério Público apresentou uma denúncia contra a igreja.

A denúncia foi aceita pela 1ª Vara Criminal de Balneário Camboriú. A Justiça citou a quantidade de denúncias e entendeu que havia indícios de autoria e materialidade do crime, com base em boletins, vídeos e um laudo da Polícia Científica que apontou ruídos acima do limite permitido.

O MP também obteve uma medida cautelar que determinava que o templo fizesse isolamento acústico, sob pena de multa de R$ 50 mil. O Ministério Público informou que a igreja promoveu medidas de regularização acústica. A igreja afirma que todas as adequações exigidas foram realizadas e que a documentação foi apresentada no processo judicial.

Tiago Alves, no entanto, questiona os ajustes e diz que o som voltou a atingir níveis ilegais nos últimos meses. “Nossa rotina já é muito difícil com um filho autista, que precisa de terapias, que tem uma rigidez cognitiva muito forte. Eu chego a ficar duas, três horas, circulando de carro com o meu filho durante o horário do culto para evitar que tenha um pico de estresse”, afirmou.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados