quarta-feira, agosto 19

O Ministério da Justiça avalia que brinquedos que usam inteligência artificial, os chamados smart toys, estão descumprindo as normas do ECA Digital. O estatuto estabelece regras para privacidade e proteção online de crianças e adolescentes.

A pasta identificou, em análise preliminar, indícios de irregularidade na venda desses produtos no Brasil. O ministério alertou para a responsabilidade solidária dos marketplaces que comercializam esses brinquedos.

Segundo a pasta, os smart toys fazem coleta excessiva e contínua de dados, incluindo biometria facial e vocal. Isso abre brecha para o uso dos produtos como instrumentos de espionagem. A prática fere o princípio de “privacidade por padrão” do ECA Digital, que determina o uso mínimo possível de dados.

Entre os riscos apontados estão a manipulação emocional, a falta de transparência sobre o funcionamento automatizado dos produtos e o perfilamento comportamental. Nesse último caso, dados sobre a personalidade são processados para direcionar publicidade a menores de 18 anos. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Os brinquedos Loona e EMO, robôs-pet, estão entre os dispositivos que podem ter irregularidades, de acordo com o relatório. Esses produtos fazem captação contínua de biometria facial, vocal e mapeamento do ambiente doméstico. Já o robô Miko 3 e o tablet Amazon Fire HD 10 Kids Pro estariam mapeando perfis comportamentais individualizados de crianças. Os outros brinquedos avaliados são os robôs-pet Vector e Aibi, suspeitos de gerar dependência emocional e psicológica.

As plataformas que vendem esses brinquedos podem ser responsabilizadas de forma solidária, por não garantirem que o produto obedece às regras de segurança e transparência. Os brinquedos podem ser enquadrados como defeituosos pelo Código de Defesa do Consumidor, por não oferecerem a segurança necessária. O relatório cita, entre as plataformas que vendem os produtos, Amazon, Mercado Livre, Shopee, Ali Express, Magazine Luiza, eBay e Casas Bahia. Procuradas, as empresas não responderam à reportagem.

Os técnicos recomendam que a Secretaria Nacional do Consumidor verifique se as empresas estrangeiras, tanto as que produzem quanto as que vendem os brinquedos, têm representação legal no Brasil para responder administrativa e judicialmente. Além disso, a Senacon deve verificar se os smart toys têm mecanismos de proteção adequados para crianças e se as embalagens e páginas no marketplace contam com o aviso obrigatório de acesso à internet e necessidade de supervisão parental.

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Cristina Leroy Silva, autora do portal
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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