domingo, agosto 2

A FIFA recuou de um dos projetos mais polêmicos de sua história recente. O presidente da entidade, Gianni Infantino, pretendia criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa privada que assumiria o controle dos direitos comerciais e de transmissão de torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A proposta previa a entrada de investidores privados no negócio, com a promessa de aumentar os repasses às 211 federações filiadas de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões, com ofertas que chegavam a US$ 40 milhões.

A ideia de privatizar o principal patrimônio do futebol gerou uma crise sem precedentes. O projeto foi arquivado após uma série de reações contrárias. O próprio Infantino admitiu que a tentativa criou divisões internas na entidade, enfraquecendo a governança global do esporte.

A UEFA liderou a oposição. A entidade europeia avisou que os países do continente poderiam boicotar as competições caso a FIFA seguisse com a privatização. Sem a participação europeia, o valor e o interesse pela Copa do Mundo seriam reduzidos.

A rejeição não ficou restrita à Europa. Concacaf e AFC se posicionaram contra a proposta publicamente. Conmebol, CAF e OFC pediram explicações e travaram o andamento do plano. Sem o apoio das confederações, a medida perdeu sustentação política.

A crise também atingiu o alto escalão da FIFA. Carlos Cordeiro, assessor próximo de Infantino, renunciou ao cargo em protesto contra a criação da FFE. A saída de Cordeiro mostrou que a resistência existia dentro da própria entidade.

Outro fator que pesou contra o projeto foram as suspeitas de compra de votos. Documentos vazados indicavam ofertas de até US$ 40 milhões para federações em troca de apoio político. A promessa de aumentar os repasses gerou questionamentos éticos sobre o uso do dinheiro.

O plano também perdeu força no cenário internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou ter discutido a proposta com Infantino. A declaração desmontou qualquer tentativa da FIFA de usar líderes globais para dar legitimidade ao projeto.

Por fim, a proposta descaracterizou o papel institucional da FIFA. Ao priorizar a atração de investidores e a rentabilidade, a entidade deixou em segundo plano sua função principal de desenvolver o futebol mundial de forma equilibrada.

Com o recuo, Infantino afirmou que vai reunir confederações e federações nas próximas semanas para buscar alternativas. O desafio agora é encontrar uma forma de ajudar financeiramente as federações menores sem abrir mão do controle da Copa do Mundo.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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