O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, de 70 anos, afirmou que sua pré-candidatura a deputado federal por Goiás em 2026 não tem o objetivo de resgatar sua imagem após os escândalos do mensalão e da Lava Jato. Preso duas vezes por esses casos, ele disse que o retorno de políticos condenados no passado, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado João Paulo Cunha, atende a uma necessidade do partido.
“Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT”, declarou Delúbio em entrevista. Ele defendeu sua inocência e classificou a denúncia do mensalão, que prefere chamar de “ação penal 470”, como uma mentira. Delúbio admitiu a existência de caixa dois em campanhas petistas, mas negou o pagamento de mesada a deputados.
O ex-tesoureiro foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa no mensalão, cumpriu mais de dois anos de pena e recebeu indulto em 2016. Na Lava Jato, foi condenado a seis anos por empréstimos fraudulentos, mas a sentença foi anulada em 2023 pelo STJ, que decidiu que o caso deveria ter tramitado na Justiça Eleitoral. Delúbio afirma que não fez nada de errado e diz não guardar mágoas, nem mesmo de sua expulsão do PT entre 2005 e 2011.
Ele justificou a volta à política pela necessidade de ajudar o presidente Lula a governar e aumentar a bancada progressista de Goiás. Delúbio defende pautas como melhorias na energia elétrica, transporte e educação, incluindo a criação de um fundo para sustentar a educação básica. Sobre o Congresso, disse que o jogo de interesses não mudou e que os deputados votam de acordo com quem os financia.
Para Delúbio, a eleição de Lula em 2026 é vital e precisa ocorrer no primeiro turno. Ele acredita que um novo mandato permitirá a transformação do país, com redução da dependência de programas como o Bolsa Família. O ex-tesoureiro também comentou a dificuldade de renovação no PT, afirmando que o partido sofreu desgaste com os escândalos, mas busca atrair a juventude.
