terça-feira, agosto 18

A Avenida Comercial Norte, um dos pontos mais tradicionais do Distrito Federal e conhecida como o coração econômico de Taguatinga, enfrenta uma crise com o fechamento em massa de lojas. O cenário de calçadas cheias e vitrines atraentes deu lugar a placas de “aluga-se”, o que derruba os preços dos imóveis e preocupa quanto ao esvaziamento urbano da região.

Para Hélio Eustáquio da Silva, proprietário da Hélio Imóveis e especialista no setor, o declínio resulta de uma combinação de fatores. Ele cita a carga tributária e mudanças no comportamento do consumidor. “Há muitos imóveis desocupados, especialmente em função dos frequentes aumentos de impostos e da mudança de mentalidade das pessoas, que hoje preferem consumir e buscar serviços em locais com maior concentração de lojas, como os shopping centers”, afirma.

Na prática, as placas de locação se tornaram permanentes. Segundo o corretor, a grande oferta de espaços ampliou os prazos dos contratos. “O tempo médio para locação na área pode girar em torno de oito meses. Como a quantidade de imóveis ofertados é grande, os eventuais interessados encontram muitas opções vazias e, consequentemente, ganham maior poder de barganha”, explica.

O corretor ressalta que a conta não fecha para o empresariado. “Hoje, a Comercial Norte não é mais vista como um investimento atraente. O IPTU cobrado pelo governo é exorbitante e não reflete o estado de abandono em que a avenida se encontra. Essa carga tributária está totalmente fora da realidade e das possibilidades dos comerciantes”, conclui Eustáquio.

Além dos custos, a atmosfera do lugar mudou. Alisson David, de 30 anos, que trabalha no setor de vestuário masculino, relata a insegurança. “O movimento caiu bastante. Sentimos um baque grande até em janeiro e dezembro, que costumam ser meses fortes para as vendas. E, além de vender menos, a gente ainda sofre com a insegurança. Fechamos a loja às 19 horas e a falta de policiamento preocupa muito”, conta.

O atendente José Pereira, que trabalha em um brechó local, aponta o impacto da população em situação de rua. “Quase todos os dias a gente vê muitos moradores de rua por aqui. Alguns ficam até deitados na porta das lojas. Isso acaba afastando os clientes. Essa situação atrapalha bastante”, destaca. Apesar das dificuldades, José afirma que a proprietária do brechó não cogita migrar para o atendimento online e cobra ações do GDF.

A produtora rural Maria Aparecida Silva, de 56 anos, frequenta a Comercial Norte toda semana. “Antigamente, essa comercial tinha de tudo, mas hoje a realidade é outra. Muitas portas se fecharam e o comércio perdeu aquela força do passado. O que falta de verdade é o policiamento e a segurança pública”, diz.

O motorista de aplicativo Anderson Fábio dos Santos, de 37 anos, dirige pela área diariamente. “Dá para perceber claramente que o movimento das lojas despencou. Na minha visão, isso tem muito a ver com o custo para manter o negócio aberto. O preço dos aluguéis ali está sufocante. Muitos proprietários cobram valores fora da realidade”, afirma.

Procurada, a Administração Regional de Taguatinga informou que não tem o número exato de estabelecimentos fechados. O administrador alega que o esvaziamento reflete uma mudança estrutural iniciada na pandemia, com a migração para o comércio eletrônico e para shoppings. Como resposta, a Administração aposta em um projeto de política de ocupação que tramita na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), focado na revitalização da Comercial Norte e Sul, além da Samdu Sul e Samdu Norte.

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Cristina Leroy Silva, autora do portal
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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