segunda-feira, junho 1

A Seleção Brasileira se despediu da torcida antes do embarque para a Copa do Mundo com uma goleada de 6 a 2, casa cheia no Maracanã e uma sensação curiosa: o placar foi confortável, mas o caminho até lá mostrou que a caminhada no Mundial pode ser bem mais complicada do que muitos imaginam.

Diante de mais de 60 mil torcedores, o Brasil enfrentou o Panamá, 33º colocado no ranking da Fifa e uma das seleções classificadas para a Copa. O time panamenho, que estará no grupo da Inglaterra no Mundial, deu trabalho enquanto teve força física e a equipe praticamente completa.

A impressão é que Carlo Ancelotti colocou em campo a base que imagina para a estreia contra o Marrocos daqui a duas semanas. As exceções devem ser na defesa: Bremer e Léo Pereira tendem a perder espaço para Marquinhos e Gabriel Magalhães, que disputaram a final da Champions League e ainda não se apresentaram. Para Ancelotti, o time da Copa já está praticamente desenhado.

O Brasil começou estranho, sem grande inspiração, especialmente no meio-campo. Faltou criatividade, faltou velocidade na troca de passes e, em alguns momentos, faltou aquela sensação de domínio que se espera de uma seleção candidata ao título.

Quem tirou o time do sufoco foi Vinícius Júnior. O atacante apareceu como protagonista: marcou o primeiro gol e ainda deu a assistência para Casemiro ampliar. Foi o jogador capaz de quebrar a previsibilidade brasileira.

Neymar, ainda sem condições físicas, ficou no banco sem sequer estar uniformizado para jogar. A grande dúvida é saber quando — e em que condição — poderá ser utilizado durante o Mundial.

No intervalo, Ancelotti fez uma experiência radical: mudou praticamente o time inteiro, aproveitando as dez substituições permitidas no amistoso. Os reservas colocaram o Panamá no bolso, aumentaram o ritmo, transformaram a vitória em goleada e alguns nomes mostraram que podem ser úteis durante a competição.

Copa do Mundo não se decide apenas por 45 minutos de amistoso. Ancelotti tem convicções e dificilmente vai abandonar agora o grupo que imagina como titular.

A despedida deixou duas certezas. A primeira é positiva: a torcida quer abraçar a Seleção. O Maracanã lotado derruba a tese de que o brasileiro perdeu o interesse pelo time nacional. A segunda é mais preocupante: faltando duas semanas para a estreia, o Brasil ainda não parece pronto.

Share.
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados