sexta-feira, abril 10

O Vaticano negou, nesta sexta-feira (10), as notícias de que um alto cargo do Pentágono teria repreendido seu enviado aos Estados Unidos. Os comentários que motivariam a suposta repreensão foram feitos pelo papa Leão XIV e são vistos como críticos às políticas do então governo de Donald Trump.

O papa Leão XIV, o primeiro pontífice americano da história, tem uma relação complexa com o governo Trump. O papa já se posicionou publicamente contra a guerra no Irã e declarou rejeitar as orações “daqueles que fazem guerra”.

O encontro em questão aconteceu no Pentágono em 22 de janeiro, antes do conflito com o Irã. Estiveram presentes o subsecretário de Guerra para Assuntos Políticos, Elbridge Colby, e o cardeal francês Christophe Pierre, que na época era o núncio apostólico em Washington.

Já na quinta-feira (9), o Pentágono havia se pronunciado, indicando que a informação divulgada pelo veículo de mídia independente Free Press estava “distorcida”.

A publicação citada afirmou que o funcionário do Pentágono teria dito ao representante do Vaticano que os Estados Unidos “têm o poder militar para fazer o que quiserem”. A reportagem também alegou que Colby teria sugerido que “a Igreja estaria melhor se ficasse de fora disso”.

Em resposta, o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, emitiu uma nota oficial nesta sexta-feira. A declaração afirma que “a versão apresentada por alguns veículos de comunicação sobre este encontro não corresponde à verdade de forma alguma”.

Segundo a nota, o cardeal Pierre, que já está aposentado, se reuniu com Colby como parte das “obrigações habituais de um representante do papado”. O Vaticano descreveu o evento como uma oportunidade para “trocar opiniões sobre assuntos de interesse mútuo”.

O Pentágono também emitiu um novo comunicado na quinta-feira, reafirmando sua posição. O departamento de defesa americano declarou que as informações sobre o encontro foram “muito exageradas e distorcidas”. A reunião foi caracterizada como uma “conversa respeitosa e razoável” entre as partes.

A relação entre a Santa Sé e a administração Trump foi marcada por divergências em várias frentes da política internacional. Para além das declarações sobre o Irã, o papa Leão XIV também expressou opiniões fortes sobre mudança climática e migração, temas nos quais suas visões frequentemente contrastavam com as do governo americano da época.

Encontros diplomáticos de alto nível, como o ocorrido entre o núncio apostólico e um subsecretário do Pentágono, são comuns na prática das relações internacionais da Santa Sé. A comunicação do Vaticano costuma enfatizar o caráter cordial e construtivo desses diálogos, mesmo quando há discordâncias de fundo sobre questões políticas ou militares.

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Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados