segunda-feira, abril 13

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, foi derrotado nas urnas neste domingo (12) e deixará o poder após 16 anos. Ele deixa um legado marcado pela centralização do poder, com um Judiciário alinhado ao governo e a mídia majoritariamente controlada por aliados, além de um histórico de desentendimentos com a União Europeia, bloco do qual a Hungria é membro.

Uma das primeiras reações internacionais à derrota de Orbán partiu da presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen. Ela declarou: “A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria”.

“Um país retoma seu caminho europeu, e a união fica mais forte”, continuou von der Leyen. “Juntos, somos mais fortes. O coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite.”

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou ter conversado com Péter Magyar, vencedor da eleição. Em nota, disse que a França “está feliz com essa vitória, que mostra a forte ligação do povo húngaro aos valores da União Europeia”.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, também telefonou para Magyar. Ele expressou a expectativa de uma cooperação “a fim de garantir uma Europa forte, segura e unida”. Em uma rede social, escreveu: “O povo húngaro decidiu. Parabéns por seu sucesso, caro Péter”.

Nos Estados Unidos, Hakeem Jeffries, líder do Partido Democrata na Câmara dos Representantes, comentou a derrota. Ele disse que “o autocrata de extrema direita Viktor Orbán perdeu a eleição. Os próximos serão os puxa-saco de Trump e extremistas Maga em novembro. O inverno está chegando”. A declaração faz referência às eleições legislativas de meio de mandato que ocorrerão nos EUA.

O governo do ex-presidente Donald Trump interferiu na campanha eleitoral húngara na tentativa de favorecer Orbán. Trump chegou a afirmar que os Estados Unidos investiriam na economia húngara se o aliado se mantivesse no poder. Além disso, seu vice na chapa, J. D. Vance, foi enviado a Budapeste para elogiar publicamente o primeiro-ministro.

A mudança no cenário político húngaro após mais de uma década e meia de governo Orbán gera expectativa sobre uma possível reaproximação do país com as instituições europeias. A derrota eleitoral do líder é vista por muitos observadores como um sinal de realinhamento dos eleitores húngaros com os princípios democráticos do bloco.

O resultado das eleições na Hungria ocorre em um contexto de debates mais amplos sobre a democracia e o Estado de direito dentro da União Europeia. Nos últimos anos, o governo de Orbán havia sido alvo de críticas e processos por parte do Parlamento Europeu devido a preocupações com liberdades civis e o respeito às normas comunitárias.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados