sexta-feira, abril 10

A seis meses da eleição presidencial, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) mobilizam seus times, acirram o duelo por aliados e atuam para garantir palanques competitivos nos estados.

A estratégia passa por barrar projetos de candidaturas próprias nos estados, tocar crises internas dentro dos partidos e contemplar aliados para ganhar capilaridade para as eleições de outubro.

O PT avançou na definição dos palanques nas últimas semanas e caminha para ter candidaturas próprias ao governo em apenas dez unidades da federação. O número é menor que em 2022, quando a legenda teve 13 candidatos a governador, e em 2018, quando foram 16.

Em outros 14 estados, o partido vai apoiar candidatos a governador de outras legendas. Estão previstas alianças com nomes do PSB e PDT, além de candidatos do MDB, PSD, PP e até União Brasil, partidos que dificilmente estarão no palanque oficial do presidente.

Parte das alianças deixou cicatrizes na relação entre a cúpula nacional do PT e líderes locais. Foi o caso do Rio Grande do Sul, onde a Comissão Executiva do PT deu um ultimato ao diretório estadual para apoiar a pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT) ao governo.

O PT gaúcho defendia o ex-deputado estadual Edegar Pretto. Nesta quinta-feira (9), o diretório local aceitou apoiar o PDT. Mas a decisão de cima para baixo deixou um rastro de descontentamento entre os petistas gaúchos.

O Rio Grande do Sul foi um dos três estados nos quais o PDT pediu o apoio do PT para entrar formalmente na aliança nacional lulista. Os outros são o Paraná, onde o PT já fechou uma aliança com Requião Filho (PDT), e Minas Gerais, onde a negociação tende a ser mais difícil.

O PDT defende a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, mas Lula tenta convencer o senador Rodrigo Pacheco, que se filiou ao PSB, a concorrer ao governo mineiro.

Um dos principais aliados do PT nos estados será o PSD, partido que confirmou a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência. O PT deve apoiar candidatos da legenda no Rio de Janeiro, Mato Grosso e Amazonas.

Também há possibilidade de aliança com o PSD em Sergipe, onde o governador Fábio Mitidieri endossa a reeleição de Lula.

Em outros estados do Nordeste, o PT trabalha para ter mais de um palanque apoiando o presidente. É o caso da Paraíba, onde o partido selou apoio à reeleição de Lucas Ribeiro (PP), mas atua para ter Cícero Lucena (MDB) no palanque de Lula.

O cenário é semelhante em Pernambuco. Apesar do apoio formal do PT a João Campos (PSB), a cúpula do partido trabalha para que o presidente também seja apoiado pela governadora Raquel Lyra (PSD).

Os palanques seguem indefinidos em Goiás e no Tocantins, onde há dúvidas sobre lançar ou não candidato, e no Maranhão, onde há um racha do PT com o governador Carlos Brandão (sem partido).

Cenário de indefinição no PL

O PL vive um cenário de maior indefinição na construção dos palanques para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro. O partido colocou como meta lançar ao menos uma candidatura ao governo ou Senado em todos os 26 estados e no Distrito Federal.

A sigla tem pré-candidatos a governador em 12 estados, incluindo grandes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em 2022, quando Jair Bolsonaro disputou a reeleição, foram 13 candidatos.

Nas últimas semanas, o PL buscou reforçar sua presença no Nordeste com a filiação de Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal, e do senador Efraim Filho, que deixou o União Brasil para concorrer ao Governo da Paraíba.

Também estão encaminhadas alianças com outros partidos em seis estados e no Distrito Federal. Cinco deles são da federação entre União Brasil e PP, legendas que Flávio Bolsonaro trabalha para trazer para o seu arco de alianças.

Na Bahia, ao contrário de 2022, a legenda fechou uma aliança com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Mas a chapa enfrenta atritos e não deve caminhar unida na eleição presidencial.

ACM Neto tem endossado Ronaldo Caiado, em uma estratégia que busca blindá-lo da rejeição ao bolsonarismo na Bahia. Já os candidatos ao Senado da chapa, o ex-ministro João Roma e o senador Angelo Coronel (Republicanos), estarão no palanque de Flávio.

No Ceará, Flávio Bolsonaro chegou a sinalizar uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), mas recuou nesta semana e afirmou que as negociações estão temporariamente suspensas.

O apoio do PL a Ciro Gomes enfrenta resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que defende a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará. Ciro foi adversário de Bolsonaro em 2018 e 2022.

Outro nó a ser desatado é Minas Gerais, onde a legenda se divide entre apoiar o governador Mateus Simões (PSD), o senador Cleitinho (Republicanos) e lançar ao governo o empresário Flávio Roscoe, que se filiou ao PL. Também há indefinições em estados como Pernambuco, Maranhão e Espírito Santo.

Em estados do Norte, a tendência é que Flávio Bolsonaro tenha palanques duplos ou triplos. No Acre, três pré-candidatos disputam a direita bolsonarista: a governadora Mailza Assis (PP), o senador Alan Rick (Republicanos) e o ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom (PSDB).

Mesmo com promessa de polarização na eleição presidencial, PT e PL devem se enfrentar diretamente em poucos estados. Entre os pré-candidatos lançados pelas siglas, o embate acontece apenas no Rio Grande do Norte, Rondônia e Piauí.

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Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados