quarta-feira, agosto 5

O governo federal reduziu a previsão de leilões de rodovias para 2026, passando de 14 para 10 certames. A diminuição ocorre em meio a dificuldades para destravar os processos de repactuação dos chamados “contratos estressados”, que são projetos antigos que fracassaram e precisaram ser renegociados.

Os entraves incluem o acúmulo de projetos na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e a falta de acordo no TCU (Tribunal de Contas da União). Inicialmente, a previsão era de 14 leilões neste ano, sendo seis repactuações. Em novembro, o Ministério dos Transportes já havia reduzido a meta para 13, com o adiamento da concessão da Rota Agro Central (BR-070/174/364/MT/RO) para ajustes na proposta.

Do total de 10 leilões previstos para 2026, cinco são de repactuação. Três já foram realizados: o lote das Rotas Gerais (BR-116/251/MG), a Rota dos Sertões (BR-116/324/BA/PE) e o trecho de 383 km da rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR).

Uma fonte ligada ao governo federal afirmou que os projetos de otimização da Rodovia Transbrasiliana (BR-153/SP) e da Rota Planalto Sul (BR-116/PR/SC) estão parados enquanto a ANTT avalia se dará prosseguimento ao trâmite por meio de acordo na Compor (Câmara de Negociação e Solução de Controvérsias). A câmara foi criada pelo órgão regulador com apoio da PGF (Procuradoria-Geral Federal) e da AGU (Advocacia-Geral da União) para lidar com disputas em contratos de concessão de longo prazo.

A ANTT negou que esteja estudando a tramitação dessas repactuações pela Compor. Em nota, o órgão afirmou que “não há, no âmbito da Compor, procedimento em andamento com essa finalidade” e que as concessionárias estão fazendo adequações nos estudos para que os projetos possam ser submetidos ao TCU.

Outro problema é a concessão da Rota Litoral Sul, que corta municípios do Paraná e de Santa Catarina e é administrada pela Arteris desde 2008. No começo do ano, o Ministério dos Transportes não conseguiu prosseguir com a repactuação porque não houve acordo entre a pasta, a ANTT e a concessionária na SecexConsenso. O processo seguirá na Compor, conforme protocolo de intenções assinado pelas partes.

O Ministério dos Transportes afirma que os ajustes no cronograma são naturais e podem ocorrer por diversos fatores. A pasta prevê mais dois leilões de otimização neste ano: a Rota do Pequi e a Rota Arco Norte. A Rota Arco Norte abrange 1.010 km da BR-163 entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), com previsão de R$ 10,42 bilhões em investimentos. O leilão está marcado para 12 de novembro. A Rota do Pequi, em Goiás e no Distrito Federal, tem previsão de R$ 4,14 bilhões em investimentos.

Das novas concessões, o ministério prevê leiloar a Rota Agro Central, a Rota 2 de Julho (BR-116/324/BA) e dois projetos no Rio Grande do Sul, chamados Portuária e Integração do Sul.

Fernando Vernalha, advogado especialista em infraestrutura, aponta que a ANTT está sobrecarregada e não consegue realizar otimizações, novos contratos e monitoramento de projetos ao mesmo tempo. Ele cita cortes orçamentários como causa da limitação operacional da agência. O Senado aprovou em junho um projeto que blinda o orçamento das agências reguladoras contra contingenciamento, mas o texto ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados.

Marco Aurélio Barcelos, presidente da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias), diz que a redução da meta não frustra o setor, mas que o ministério deve garantir a realização dos certames adiados nos próximos anos. Ele também alerta para o licenciamento ambiental como um possível gargalo nos contratos.

Thiago Araújo, sócio do Bocater Advogados, avalia que a redução não deve ser vista como fracasso do governo, mas como reflexo da complexidade da carteira de projetos. Para ele, é preferível não realizar um número tão grande de leilões a oferecer ao mercado projetos que não estejam bem estruturados e analisados pelo TCU.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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