quinta-feira, julho 30

O diretor de seleções da CBF, Rodrigo Caetano, classificou como positivo o ciclo de Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira. A declaração, no entanto, contrasta com os números obtidos pelo técnico durante sua passagem.

Ancelotti, que recebe um salário de R$ 5 milhões, encerrou o período com 64,7% de aproveitamento e teve o contrato renovado até 2030. Para efeito de comparação, Tite deixou o cargo com mais de 80% de rendimento e saiu sob forte pressão. A própria CBF mudou a régua da cobrança.

Outro dado chama a atenção. Na eliminação para a Noruega, o Brasil terminou a partida com apenas 34% de posse de bola. Não foi contra França ou Espanha, mas sim uma equipe considerada de prateleira inferior na Europa, que dominou a Seleção Brasileira durante todo o jogo.

Para ilustrar o significado de 34%, é como um gerente de banco passar quase 70% do expediente sem atender clientes. Ou um supermercado abrir com apenas um terço das mercadorias nas prateleiras. Ou um motorista de aplicativo aceitar apenas uma corrida a cada três chamadas. Em qualquer profissão, esse desempenho seria tratado como um problema, não como motivo para promoção.

No futebol da CBF, ocorreu o contrário. Um trabalho com desempenho inferior ao do antecessor e uma eliminação marcada pelo domínio do adversário virou justificativa para renovar contrato até 2030, com um dos maiores salários do futebol mundial.

Rodrigo Caetano tem o direito de defender Ancelotti. O que não pode é tentar convencer o torcedor de que os números contam uma história diferente daquela que todos viram dentro de campo.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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