Começar a leitura
Divirto Buscar
Martelo de leilão sobre mesa simples em escritório vazio
Economia

O que é arrematação em leilão

Não existe negociação nem arrependimento: o edital foi escrito antes de você chegar.

Por · · 5 min de leitura

Martelo de leilão sobre mesa simples em escritório vazio

Quem começa a olhar leilão esbarra logo numa palavra que aparece em todo edital e que ninguém explica: arrematação. Entender o que é arrematação em leilão é o passo que separa quem dá um lance consciente de quem descobre a obrigação depois.

Ela não é a mesma coisa que ganhar o lance.

O que a palavra significa

Arrematar é adquirir um bem em leilão público mediante o lance vencedor e o cumprimento das condições do edital. A arrematação é o ato que transfere o direito sobre o bem, e ela se conclui com o pagamento e com a expedição do documento correspondente.

A diferença prática em relação a uma compra comum é que aqui não existe negociação, não existe contrato bilateral discutido e, em regra, não existe direito de arrependimento. O edital é a regra, e ele foi escrito antes de você chegar.

Por isso a leitura do edital vem antes de qualquer lance. Quem está começando costuma comparar oportunidades por estado, e listas como a de leilão de imóveis no RS ajudam a ver o volume real de ofertas antes de escolher onde estudar a fundo.

As etapas até o bem ser seu

Do lance à posse, em ordem
EtapaO que acontece
HabilitaçãoCadastro e envio de documentos ao leiloeiro
Lance vencedorMaior oferta acima do lance mínimo
Auto de arremataçãoDocumento que formaliza o ato
PagamentoValor do bem mais comissão do leiloeiro
Carta de arremataçãoTítulo que permite registrar o imóvel
Imissão na posseEntrada efetiva no bem, se ele estiver ocupado

As duas últimas linhas são onde o prazo costuma se alongar, principalmente em imóvel ocupado.

O que conferir antes do lance

  1. Leia o edital inteiro. É ele que define débitos, prazos e responsabilidades.
  2. Verifique a ocupação. Imóvel ocupado muda o custo e o tempo até a posse.
  3. Levante os débitos. IPTU, condomínio e taxas podem ou não ficar com você, conforme o edital.
  4. Some a comissão. Em geral 5% sobre o valor da arrematação, além do preço.
  5. Confira a matrícula. Penhoras e restrições aparecem ali, não no anúncio.

Leilão judicial e extrajudicial

No judicial, o bem é vendido dentro de um processo, por determinação do juiz. A carta de arrematação é expedida pelo juízo e costuma dar mais segurança quanto à validade do ato, ainda que a desocupação possa demorar.

No extrajudicial, a venda decorre de um contrato, tipicamente de alienação fiduciária, e segue rito próprio. É mais rápido, e por isso mesmo exige atenção redobrada com a regularidade do procedimento e com o histórico do bem.

Como ler uma matrícula antes de dar lance

A matrícula é a certidão de nascimento do imóvel, e é nela que está a informação que o anúncio não traz. Ela é obtida no cartório de registro de imóveis da região do bem, hoje quase sempre pela internet, com custo baixo, e vale a leitura completa e não só da última página.

O documento é organizado em ordem cronológica, com cada ato numerado. Ali aparecem os proprietários anteriores, as transmissões, as hipotecas, as alienações fiduciárias, as penhoras, as indisponibilidades e os averbamentos de construção, que informam a área efetivamente regularizada.

Dois pontos merecem atenção especial. O primeiro é a existência de penhoras de outros processos, que podem seguir onerando o bem conforme o caso. O segundo é a diferença entre a área registrada e a área real construída, porque construção não averbada gera custo de regularização que sai do bolso do arrematante.

Débitos: o que fica e o que não fica com você

A pergunta sobre dívidas antigas é a que mais gera desentendimento depois, e a resposta começa sempre no edital, que precisa dizer expressamente como cada categoria será tratada. Editais bem redigidos informam se os débitos serão quitados com o produto da venda ou assumidos pelo arrematante.

Como regra geral, os tributos que incidem sobre o imóvel, como o imposto predial, acompanham o bem e não a pessoa, o que os torna cobráveis do novo proprietário quando o edital não prevê a quitação. Já dívidas pessoais do antigo dono, sem relação com o imóvel, não seguem o bem.

A dívida de condomínio ocupa um lugar próprio e frequentemente é assumida pelo arrematante quando o edital assim determina. Por isso o levantamento prévio junto à administradora do condomínio e à prefeitura, antes do lance, é uma etapa que muda o cálculo do negócio de forma decisiva.

Depois da arrematação: o caminho até a posse

Cumpridas as obrigações de pagamento, vem a expedição do documento que formaliza a aquisição e permite o registro. Só com o registro efetivado na matrícula é que a propriedade se transfere, e é esse o passo que muita gente adia por achar que a carta em mãos já basta.

Se o imóvel estiver desocupado, a entrada costuma ser simples. Se estiver ocupado, o caminho passa por tentativa de acordo com o ocupante ou pela via judicial, com a ação própria de imissão na posse, cujo tempo depende da comarca e da resistência apresentada.

Vale organizar desde o início uma reserva para essa etapa, incluindo eventual acordo, honorários e custas, além do custo de manter o imóvel enquanto ele não gera retorno. É essa reserva, e não o valor do lance, que costuma separar a arrematação bem-sucedida da que vira dor de cabeça.

Perguntas frequentes sobre arrematação

Posso desistir depois de arrematar?

Em regra não, e a desistência costuma implicar perda de valores e outras penalidades previstas no edital.

Quem paga a comissão do leiloeiro?

O arrematante, sobre o valor da arrematação, em percentual definido no edital.

Preciso de advogado?

Não é obrigatório para dar lance, mas a análise da matrícula e do edital costuma compensar o custo.

Dívidas antigas do imóvel ficam comigo?

Depende do edital e da natureza do débito. É justamente por isso que a leitura vem antes do lance.

Quanto tempo leva para sair a carta de arrematação?

Varia conforme o tipo de leilão e a comarca. Em leilão judicial depende do andamento processual após o pagamento.

Posso visitar o imóvel antes do lance?

Nem sempre, principalmente se estiver ocupado. Quando há visitação, ela é informada no edital.

Resumo

Arrematar é adquirir o bem pelo lance vencedor cumprindo o edital, e o ato só se completa com pagamento e documento. O caminho vai da habilitação à imissão na posse, e é nas duas últimas etapas que o prazo se alonga. Edital, ocupação, débitos, comissão e matrícula são os cinco pontos a conferir antes de qualquer lance, porque depois não há arrependimento.

Leia também

Duas leituras da mesma editoria para continuar.

Como escolher um Escritório de Contabilidade Negócios

Como escolher um Escritório de Contabilidade

27 de jul.
Negócios no agronegócio Negócios

Como estruturar e expandir negócios no agronegócio com segurança

27 de jul.