quarta-feira, agosto 19

Um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados propõe definir o conceito de antissemitismo no Brasil com base em parâmetros da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). O texto levanta um debate sobre possíveis impactos na liberdade de expressão.

A proposta reúne apoio de 45 parlamentares de diferentes partidos, incluindo nomes da esquerda e da direita, como Tabata Amaral (PSB-SP), Kim Kataguiri (União-SP), Heloísa Helena (Rede-RJ) e deputados do PT, como Reginaldo Lopes (MG).

O texto classifica o antissemitismo como forma de racismo e estabelece que essa definição deve orientar políticas públicas nacionais. Entre os pontos centrais, o projeto prevê que manifestações antissemitas podem ter como alvo o Estado de Israel, “encarado como uma coletividade judaica”, o que abre margem para que críticas ao país sejam enquadradas nesse contexto, a depender da interpretação.

Embora o projeto ressalve que críticas a Israel semelhantes às dirigidas a outros países não devem ser consideradas antissemitas, a proposta adota como referência exemplos da IHRA que serão utilizados para orientar interpretações sobre o tema. Isso tem gerado debate sobre os limites entre crítica política e discurso de ódio.

O projeto não cria novos tipos penais, mas vincula o tema à Lei do Racismo, o que pode influenciar a aplicação da legislação já existente. Na justificativa, os autores afirmam que a medida busca dar mais clareza às políticas públicas e reforçam que o objetivo não é restringir o debate político, que deve ser preservado dentro dos limites constitucionais.

A notícia foi publicada em 30.03.2026 pela revista CartaCapital, destacando a abrangência do apoio ao projeto, que vai de Tabata Amaral a Kim Kataguiri. A discussão ocorre em um contexto internacional onde posicionamentos sobre o Estado de Israel são frequentemente alvo de análise e controvérsia.

O uso da definição da IHRA como referência é um ponto central da proposta. Essa definição já é adotada por vários países e organizações, e sua incorporação à legislação brasileira é vista por apoiadores como um passo necessário para combater o preconceito. Por outro lado, setores da sociedade civil e especialistas em direitos humanos manifestam preocupação com o possível efeito intimidador sobre manifestações legítimas.

A tramitação do projeto será acompanhada de perto por entidades representativas de diversas comunidades, assim como por estudiosos do direito constitucional. O resultado poderá estabelecer um novo parâmetro para a interpretação jurídica de casos que envolvam discurso de ódio e liberdade de expressão no país.

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Cristina Leroy Silva, autora do portal
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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